| O Democrata | Contate-nos | São Roque, sábado 09 de Setembro de 2006  




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As mesmas flores, a praça, o mesmo jardim. E a Banda?

É... O romantismo está ficando cada vez mais, e de modo geral, coisa do passado. Em todos os aspectos. Em compensação, o saudosismo, mais que nunca, nos entristece e nos remete a um tempo em que havia espontaneidade em quase tudo o que se fazia. As compras nos armazéns, na base da caderneta, com o pagamento rigorosamente a cada fim de mês; as acolhedoras quitandas onde se encontravam as frutas e verduras de época; os cinemas (a maioria conhecidos como cines-teatro); a roda de amigos, em que o papo rolava solto nos finais de semana; os namoros e os encontros amorosos na escola; o amor à primeira vista pela professora escultural que alimentava os nossos sonhos de juventude; os ansiosamente esperados passeios no jardim, aos sábados e domingos. O som gostoso da banda no coreto, que nos recebia sempre com suas músicas, só menos imponente que os impecáveis uniformes dos orgulhosos componentes da corporação. É... Recordar é viver! E como faz bem recordar. Sem esquecer o presente, porém, sem desconsiderar um passado que tinha, na banda, um colossal aliado. Qualquer cidade do interior, pequena que fosse e prezasse as suas tradições, tinha a sua corporação musical. E, quanta alegria quando ela passava em direção à praça para a sua retreta semanal. Onde houvesse - ou houver - uma banda, aí estará uma platéia feliz que ouve, canta e dança, como se conduzidos fossem por uma varinha de condão. Banda é isso!
Alegria, descontração, encantamento, sonho, felicidade. Coincidência ou não, o encantamento que desfrutávamos nos bons tempos da quase obrigatoriedade das bandas, hoje não existe mais. Porquê? As bandas não mais existem? Existir, existem, mas são um grupo em extinção. Infelizmente, uma ou outra cidade mantém ainda viva essa rica e viva expressão da música, tão ao gosto do brasileiro. Inclusive a nossa São Roque. Que, aliás, chegou a abrigar 3 (três) corporações. Todas de muita história, muita competência. Infelizmente, duas C.M. Liberdade e C.M. Carlos Gomes) não subsistiram, mas a gloriosa Corporação Musical 7 de Setembro, completando 94 (noventa e quatro) primaveras, neste ano de 2006 no dia que lhe empresta o nome, contra tudo e contra todos, insiste numa “sobrexistência” de glórias e merecimentos, graças à dedicação e desprendimento de seus músicos, e total desprendimento de seus dirigentes que, mesmo sem nenhum auxílio oficial considerável, mantém a histórica instituição funcionando, com a ajuda de amigos e um pequeno grupo de associados e admiradores. Parabéns, Corporação Musical 7 de Setembro. Nossas recentes gerações lhe são devedoras, assim como nós. Nenhuma homenagem que lhe for prestada creditará, integralmente, o seu valor. Humildemente, cada um de nós lhe dirá: OBRIGADO, sinceramente, OBRIGADO.Às autoridades locais, um lembrete: Certa vez um pseudo político, num rasgo de inteligência lascou essa pérola filosofal: “... ao povo, pão e circo...” E isso é tão pouco, meu Deus! Se é de banda (música) que o povo gosta (e gosta, mesmo), que se lhes faça a vontade. Incentivem o que já existe. Ajudem. Subsidiem outras novas. Levem às escolas, condições para criarem fanfarras, bandas marciais, danças, etc... Essas atividades ajudam a formar jovens conscientes, disciplinados e, quiçá, vocacionados para esse magistral mundo da arte musical.
Quem sabe, no próximo 7 de Setembro de 2007 não estejamos festejando os 95 anos da Corporação 7 de Setembro com desfiles de fanfarras e bandas das escolas da cidade, a par dos festejos do Dia da Independência. Tomara!

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