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No século passado, um fato ocorreu em um clube da cidade e é mantido até hoje pela tradição oral em face da inusitada e hilariante cena. Em um desvio de oratória supomos, o orador, talvez irritado com a maledicência, teria dito: “Dizem que aqui no clube tem muita mulher de má conduta!” Após Essa afirmação feita com ênfase e, talvez diante da surpresa e da expectativa da assistência, fizeram o orador cautelosamente concluir: “Que tem, tem, mas não é tanto assim!”.
Outro fato ocorrido no século passado, ganhou a mesma notoriedade. Um ilustre médico de São Roque, ao notar que seu paciente estava envergonhado de ser analfabeto, consolou-o, dizendo que ele era muito feliz até aprender a ler, quando começaram as dificuldades que um homem esclarecido enfrenta.
Um conhecido cronista, com ironia, afirmou que para aceitarmos os desmandos de nossa realidade, devemos fingir e acreditar na normalidade no Brasil e que a vergonhosa corrupção noticiada não existe.
Por exemplo, devemos acreditar no deputado federal que, perguntado pelo jornalista se ele tinha ouvido falar em mensalão: “Mensalão! Não nunca ouvi falar em mensalão” respondeu de pronto o entrevistado.
“Dizem que tem muitos corruptos em nosso país! Que tem, tem, e como tem!”, diria hoje o orador sem vacilar .
Por outro lado, tanto o ilustre médico, quanto o conhecido cronista têm razão, a partir do momento que aprendemos a ler começamos a ter acesso ao mar de corrupção que envergonha-nos e ao Brasil. A afirmação do deputado federal, por sua vez, demonstra a vantagem de ter a alma simples e acreditar que ele falou a verdade, ao invez de ficarmos “loucos de raiva” pela “cara de pau” daquele mentiroso que abusa de nossa inteligência!
As últimas notícias que nos chegam de Brasília e são reproduzidas em conceituados jornais de todo o mundo demonstram uma corrupção desenfreada em muitas de nossas instituições. Se aqueles que aprovam as leis não as respeitam, como esperar que os demais o façam?
Sonegação de impostos, invasões de propriedades particulares, anões do orçamento, proprietários de empresas que as têem para lavagem de dinheiro de tráfico de drogas, mensalão, corrupção nos correios, máfia do sangue..., poderíamos “desfiar vários rosários” das mais variadas corrupções no Brasil.
Falar disso só nos entristece, porque cumprimos nossos deveres de cidadãos, talvez fosse mais conveniente, que, com muita simplicidade e acreditando na mentira, afirmássemos: “Dizem que tem corrupção no Brasil! Que tem, tem, mas não é tanto assim!”.
“O tempora! O mores!”, já dizia então o ilustre tribuno e orador romano Cícero. Embora dita há milênios, essa oração cabe perfeitamente na atualidade brasileira.
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