A união que desuniu

A união de uns provocou a desunião de outros. Nos primeiros dias da paralisação dos caminhoneiros em todo o Brasil, unidos pelo fim dos abusivos valores do combustível e impostos, a população esvaziou as prateleiras dos supermercados e correu para as enormes filas nos postos de combustíveis até que a última bomba se esvaziasse. Cada um tentando “salvar” o seu.

Em meio à luta dos caminhoneiros num grande grito de alerta, que deixou aeroportos, carros oficiais, saúde, indústria, transporte coletivo, comércio e educação completamente paralisados por falta de combustível, o Brasil todo sentiu os impactos e a importância que o transporte de cargas tem para a economia do país.

É claro que existem particularidades em cada família. Pessoas doentes que necessitam de transporte, crianças ou aqueles que dependem do combustível para trabalhar. Todos precisam se locomover, garantir o sustento da família e se prevenir, mas o que se viu nos últimos dias foi uma grande desunião entre os brasileiros, tanto dos que venderam, quanto dos que compraram. Uma senhora que levava diversos quilos de alimentos no supermercado, ao ser questionada pelo repórter durante entrevista na TV se ela não se preocupava com a possibilidade de faltar alimentos para outras pessoas devido ao “estoque” que ela estava fazendo, respondeu que tinha que garantir o da família dela.

No Japão após o Tsunami a população comprava o estritamente necessário para não prejudicar o próximo; nos Estados Unidos após o furacão Katrina o comércio vendia bens a preço de custo para ajudar as pessoas; na França depois dos atentados terroristas os táxis faziam corridas grátis. Mas no Brasil, com a greve dos caminhoneiros, alguns comerciantes chegaram a vender o litro de gasolina a quase 10 reais, a batata foi reajustada em 90% e a verdura chegou a custar 7 reais o maço. Além disto, os petroleiros anunciaram uma paralisação “pegando carona” no ato dos caminhoneiros, tornando ainda mais incerto o fim desse caos.

Por hora parece que aos poucos a situação volta ao normal nas cidades. Algumas decretaram estado de emergência. Em São Roque na feira livre do bairro Junqueira, na terça-feira, os produtos estavam com preços justos. O abastecimento aos poucos tende a se normalizar. E o que se aprende com tudo isso é que um grande problema no Brasil ainda é brasileiro. União, pensar no próximo. Quando essa cultura mudar, todo o resto também poderá melhorar.