As manobras mascaradas

Nesta semana, as contas do ex-prefeito Daniel da Padaria, referentes ao ano de 2015, entraram em pauta em sessão extraordinária na Câmara. Mas os parlamentares decidiram pedir o adiamento do projeto sob a alegação de “falta de tempo” para analisarem os gastos do referido ano. Para rejeitar as contas, ao menos 10 dos 15 edis teriam que estar de acordo. Após um longo debate chegou-se a conclusão que de fato o ex-prefeito caiu nas graças de ao menos seis vereadores, pois a não votação das contas garante seu direito de disputar as próximas eleições. O assunto permanece aberto por tempo indeterminado.

Enquanto isso mais manobras estão acontecendo no país. Segundo o portal O Globo, o presidente Michel Temer pretendia entregar antes do prazo de 10 sessões sua defesa a respeito da denúncia por organização criminosa e obstrução de Justiça. Mas a estratégia mudou e segundo informações de bastidores, o presidente queria mais tempo para fazer o que aliados chamam de “ajustes” na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeira instância a analisar a denúncia. Ou seja: trocar integrantes da comissão que possam ser contrários ao governo por deputados favoráveis.

Se na política sobram estratégias, na segurança pública o cenário é outro. Nos últimos dias São Roque e Mairinque registraram diversos furtos a residências e estabelecimentos comerciais. Além disto, a violência contra a mulher também se destaca entre os registros na terra do vinho. O problema nacional afeta as capitais e até mesmo as pacatas cidades do interior. As cabeças dos governantes deveriam se voltar integralmente a motivos realmente importantes, como segurança, educação e saúde. Ao invés disso, usam seu tempo (pago com o dinheiro público) em defesa própria. Nas creches faltam vagas, na saúde falta qualidade. Que as estratégias para o bem comum comecem a surgir.