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19 de Fevereiro de 1922

Cousas da Cidade – A Estação da Sorocabana
Longe vão os tempos em que as victorias se conseguiam, pela razão da força. Hoje em dia, em que cada vez se vae acentuando mais os direitos do povo, em que a democracia vae ganhando sempre mais poderes, estamos na epoca em que todas as victorias devem ser conquistadas pela força da razão. E uma das armas vencedoras dos tempos hodiernos é incontestavelmente a imprensa.
E’ portanto desempenhando o sagrado mi ter de defender com galhardia o povo de quem somos o representante indirecto e a quem nos compete informar e por ao corrente dos factos, para que se possa ele orientar, que vimos levantar uma justa campanha contra a Sorocabana que, apezar de ser uma empreza do governo e que tinha por isso a obrigação de melhor attender aos interesses do povo, nos serve com tanto descaso e relaxamento.
A estação da nossa cidade tem um, enorme, movimento de passageiros e principalmente de bagagens, entretanto o prédio da estação não tem as accomodações desejáveis e nem mesmo as que se fazem restrictamente necessárias.
A começar pelo pessoal que è escasso, não dispõe a estação desta cidade de um apparelhamento mesmo de longe correspondente á sua importância e ao seu movimento.
Urge que a Admimstração da Estrada Sorocabana, mande construir com a maxima brevidade, novos armazéns que possam corresponder às exigências que o grande movimento de bagagens e de passageiros na nossa estação estão a impor. E não julgue a Administração que sejam apenas estes os melhoramentos que está a nossa estação carecendo. Outros muitos e de maxíma importância se impõe e os quaes iremos apontando e commentando.
Não só a Sorocabana se acha em gravíssima falta para com a população desta cidade. A São Paulo Electric Company também está a merecer algumas censuras pelo descaso com que trata, a segurança do povo.
Os cabos de conducção da corrente da illuminação particular, pelos quaes passa uma corrente de força respeitável, devia merecer mais, attenção por parte da Companhia tão prompta em saber cotar pelo andamento do cambio os seus preços, augmentando do dobro as contas dos consumidores. Esses cabos deviam ser perfeitamente isolados, não offerecendo o menor perigo para o publico.

Um facto grave
Agglomerou-se enorme massa de povo, em redor de um pobre operário que jazia quasi inerte, victima de um desastre.
Estava o infeliz operário a transportar, de uma várzea próxima, a areia que tinha necessidade para dar inicio ao trabalho. Numa das viagens que fazia, em meio do caminho, ao aproximar-se de uma curva o animal que atrelara à carroça, espantou-se e disparou, atirando-o do vehiculo e deixando-o por momentos sem sentidos.
Em um dado momento, deixando todos perplexos, ergueu-se, tirou o chapéu e disse:
- Quereis ser bem barbeado, e cortar o cabelo a capricho? Ide sem demora, ao Salão Miúdo, sito á rua 13 de Maio 62. Em frente a caixa d’agua (Bairro do Bomfim).