Convivendo com o perigo

“Para morrer, basta estar vivo”. As gerações passadas citavam essa frase para enfatizar a insegurança que cerca a todos nós. Não há uma verdadeira garantia de vida para ninguém, uma vez que a fatalidade é uma sombra maligna que se apodera de qualquer pessoa, mesmo que ela esteja extremamente protegida.

A matança praticada pelo atirador solitário através das janelas de um famoso hotel de luxo na cidade de Las Vegas nos Estados Unidos mostra que ninguém está verdadeiramente a salvo de um acontecimento trágico, seja ele homem ou mulher, não importando a idade.

Os terroristas estão assombrando a Europa e outras partes também, utilizando as armas mais letais que lhes chegam às mãos, atirando, arremessando aviões contra edifícios, causando explosões etc. O objetivo do fanático é causar o máximo possível de vítimas, sabendo que sua vida também será tirada, uma vez que não há como permanecer vivo após uma carnificina.

No Brasil, muitos ônibus foram queimados em diversos pontos do país, havendo casos em que alguns passageiros morreram queimados por não terem conseguido sair a tempo do veículo que foi rapidamente tomado pelas chamas.

No Rio de Janeiro, a situação é muito grave, uma vez que a população vive em estado de guerra, em meio a constantes tiroteios entre as facções criminosas. Muitas pessoas morreram em decorrência de balas perdidas que cruzam a cidade, e nunca sabemos quando uma delas penetrará o espaço onde estamos e atingirá a nós ou a quem estiver ao nosso lado, como já ocorreram inúmeras vezes.

Os assaltos à mão armada a veículos se tornaram uma constante, sendo que muitos motoristas, mesmo rendidos, foram impiedosamente baleados mesmo sem esboçar nenhuma reação. Motoristas que se perderam e foram parar em regiões comandadas por bandidos, foram metralhados sem piedade, pagando com a vida pelo erro de itinerário.

A natureza também faz sua parte, causando temporais que derrubam árvores em cima de carros que estão passando pelo local, sendo que muitas vezes seus ocupantes não escapam com vida. Raios pegam de surpresa quem está caminhando pela chuva, enchentes repentinas afogam quem não conseguiu escapar, e os tremores de terra desabam construções esmagando seus moradores.

Como podemos ver, viver é uma aventura perigosa, e apesar de todas essas ameaças que rondam o ser humano, muitos são prepotentes, arrogantes, egoístas, rindo-se da infelicidade alheia, como se eles fossem incólume aos perigos que rondam todas as pessoas. Ledo engano.

Diante da nossa impotência perante o revés da vida, seria mais coerente que nos ajudássemos mais, que amassemos sem preconceitos, e que fizéssemos nossas vidas valerem a pena de serem vividas, sendo úteis ao nosso próximo e ao mundo que nos rodeia. Havendo sinceridade de propósitos, podemos consertar inclusive o Brasil.

Texto: Diego Medeiros Raposo