“Eu precisava agradecer. Por isso, voltei!”

Escrever sob o efeito da emoção a flor da pele tem lá seus privilégios. Esta semana entrevistar o trombonista são-roquense foi demais. Gente, como um rapaz com 26 anos consegue ter uma trajetória tão bem construída? Vai vendo. Vocês acreditam que sua mãe ouvia um CD de músicas orquestradas durante sua gestação? E pasmem este mesmo CD o acompanhou durante toda a infância encantando-o sem nem ele mesmo entender a razão.

Mas ouvindo sua narrativa encontramos um personagem fundamental neste enredo: o avô Juvenal. Aliás, parece que ele foi uma boa influência para os netos. Na casa do avô ele e seu irmão jogavam bola e depois ficavam ouvindo o sr. Juvenal tocar trombone. Resultado: o irmão é jogador profissional de futebol na Espanha e o Hélio trombonista.
Com toda essa influência foi meio que natural ingressar nas aulas de musicalização na Brasital, participar no projeto Guri, entrar no Conservatório e Banda Conselheiro de Mairinque e da EMESP. A partir daí o próprio Hélio sabe contar sua história, mas não consegue explicar como e porque as coisas aconteceram.

Ainda adolescente foi para casa de tios no EUA, onde recebeu um convite para uma bolsa na “The Juilliard School”. Lá, por conta de uma desistência de outro aluno caiu na mão de um dos mais reconhecidos profissionais do trombone no mundo. Sim, senhoras e senhores: do mundo. Lá vem a frase de efeito: “Ah, quem nasce com sorte, né”. Pode parar cara pálida! O carinha ralou muito.

Depois de formar-se no Ensino Médio e no curso de música em Nova York voltou para o Brasil para graduar-se na Universidade Cantareira em São Paulo. Pausa dramática: e agora? O que fazer? Foi participar do Festival de Música em Campos de Jordão onde conquistou uma bolsa de mestrado na Eastman School of Music (EUA). Lá trabalhava na biblioteca da escola ou como monitor e tudo mais que podia ajudar a bancar seu sustento.

E finalmente está de volta ao Brasil com a ideia de retribuir um pouco de tudo que a vida de alguma forma ofertou a ele. É nítido que o Hélio sabe que chegou onde está hoje por que pessoas, grupos e instituições acreditaram nele. Humildade e gratidão que chama, né? Em minha opinião essas são duas características que constroem um artista por completo seja no palco ou fora dele. Entre tantos, esse tal Hélio foi fazer e não esperou acontecer.

Rogério Alves – maestro e produtor cultural