Dono de clínica clandestina volta a abordar pacientes três dias após ser interditada

Na segunda-feira, 9, a prefeitura de São Roque, por meio da Vigilância Sanitária, em trabalho conjunto com a Promotoria de Justiça, e as polícias Civil e Militar, interditou uma clínica de reabilitação que estava em funcionamento clandestino. Mas na manhã de quinta-feira, 12, surpreendentemente, familiares em contato com a Vigilância, comunicaram que já haviam sido novamente abordados pelo dono do local, que abrigava 23 pessoas, a maioria portadores de doenças psiquiátricas. Alguns dos pacientes estavam com sinais de violência e aparentavam uso abusivo de medicações controladas.

“Alguns familiares já nos procuraram dizendo que o dono da ‘clínica’ os abordou para que retornassem com os pacientes ao local, alegando ter regularizado toda a situação”, conta Francisco Cruz, chefe de Serviço de Saúde de Vigilância Sanitária.

Os internos foram levados para o hospital local após a interdição para serem atendidos devido a ferimentos, e um dos pacientes estava com um corte na cabeça. Localizada na zona rural da cidade, a clínica foi fechada pela primeira vez em janeiro deste ano, porém uma denúncia informou que o local ainda se encontrava em atividade.

“Em janeiro, quando fechamos o local pela primeira vez acordamos com o proprietário a reintegração destas pessoas às suas famílias no prazo de 48h e após, o fechamento definitivo do local. Aparentemente tudo havia sido cumprido, a casa estava fechada, mas durante a vacinação contra a febre amarela nossos agentes identificaram a presença de pacientes morando na residência ao lado, mas como era uma casa particular não pudemos tomar as medidas necessárias. Portanto acionamos as autoridades para que o notificassem e nesta semana conseguimos novamente a interdição do local”, explicou.

Segundo Cruz a situação encontrada na casa era desumana. No momento da interdição, os agentes de saúde descobriram que as pessoas estavam morando novamente na antiga casa interditada, em condições ainda piores. “Ele mantinha as pessoas no ambiente completamente fechado para que não chamassem a atenção. Quando entramos vimos uma cena terrível. Colchões espalhados pelo chão com pratos de comida, fezes e urina por toda a casa. Pessoas muito machucadas, com claros problemas psiquiátricos e visivelmente dopadas por medicamentos”, conta Cruz.

Fora as ações de maus tratos, o local não tinha condição básica de higiene em que pudesse atender as pessoas descritas como pacientes. Daniela Dias Groke, chefe da Divisão de Saúde, explica que os relatos dos pacientes incluíam privação de alimentação e outras necessidades básicas, como água e banho.

Cruz explicou que também houve muita dificuldade para encontrar os familiares das pessoas devido a falta de documentação no local. “Graças a um único contato chegamos aos demais familiares. A maioria deles ficou surpresa e assustada, e disseram não saber que os familiares estavam nessas condições. Suspeita-se que haja um esquema com outra clínica, em boas condições, para apresentação à família. E depois que o contrato é firmado eles são levados para este local, sem nenhuma condição de habitação”. Os responsáveis pela clínica não foram localizados para falar sobre o assunto. A Polícia Civil deverá abrir um inquérito para investigar o caso.

Alguns pacientes retornaram para as suas famílias e outros foram recebidos em clínicas da região que sensibilizados com o caso, acolheram estas pessoas.

Denuncie

Cruz alerta para a importância da denúncia nestes casos. “Muitas vezes são pessoas debilitadas, com limitações e que precisam ser reinseridas na sociedade. Algumas até com problemas graves de saúde, que necessitariam de acompanhamento médico. Por isso a denúncia tem uma função vital para essas pessoas. Lidar com vidas é muito sério e um único dia pode fazer diferença”. A Vigilância Sanitária fica no Centro de Saúde II, ao lado da rodoviária. Telefones: (11) 4784-4894 ou 4784-2409.