É hora do desembarque

Ao longo de minha vida, tive a oportunidade de fazer diversas viagens, para lugares próximos e remotos, convencionais e extravagantes, sossegados e perigosos. Nenhum desses passeios, contudo, trouxe-me tantos deslumbramentos e emoções quanto a longa excursão que venho fazendo pelo mundo da escrita.

Minha viagem por esse universo começou em 1988. Embarquei na aventura de relatar a visita que, ao lado de outros alunos da escola “Horácio Manley Lane”, fiz ao museu de cera do Hotel Alpino. O texto, chamado “Viajando no Tempo e no Espaço”, publicado nas páginas de O Democrata, tornou-se meu inesperado passaporte para o ingresso no jornalismo e na literatura.

Nesta viagem, tenho ancorado em diversos portos, deparado-me com inúmeras histórias, conhecido os mais curiosos, interessantes e respeitáveis personagens e, para descrever suas vivências e imortalizar suas memórias, desfrutado do privilégio de viver tempos e vidas que não são meus, mas que se eternizaram em mim e em tantas outras pessoas, por meio das minhas palavras.

Minhas publicações em O Democrata têm sido uma espécie de diário de bordo desta viagem. Os textos, antes ocasionais, ora mais ora menos frequentes, transformaram-se em uma coluna semanal que vem sendo publicada ininterruptamente desde 2012, para valorizar São Roque e sua gente e resgatar sua história, tecer críticas construtivas à cidade e fomentar reflexões.

Durante esse percurso, nasceram as “são-roquices”. A palavra que se tornou, em 2014, título da minha coluna, é um termo que inventei para definir os registros e recordações escondidos nas memórias, nas caixinhas de guardados, nos relicários do coração ou apenas esquecidos em um cantinho qualquer da lembrança, peças singulares e indispensáveis de um quebra-cabeça que, devidamente montado, representa a vida e a trajetória da cidade e suas figuras, desde as mais legendárias e célebres até as anônimas que, juntas, compõem um quadro riquíssimo e digno de ser exposto e admirado.

As “são-roquices” seguiram em empolgante viagem, durante esses anos, graças à irrestrita confiança da família O Democrata, à generosidade de amigos empresários, que ofereceram seu apoio em forma de patrocínio, para a manutenção da coluna nestas páginas, e ao afeto, respeito e fidelidade de milhares de leitores que prestigiam meu trabalho de forma sempre gentil e carinhosa.

Hoje, esta colunista e as suas “são-roquices” desembarcam das páginas de O Democrata. A viagem, todavia, prosseguirá, pois ainda há muitas almas, lembranças, enredos e temas a visitar.

O roteiro, no momento, será escrito apenas no mundo virtual. Meus amigos leitores são meus convidados a seguir viagem comigo, acompanhando, nas minhas páginas do Facebook (Simone Judica) e do Instagram (simonejudicasr), a continuidade das “são-roquices”. Meu e-mail, [email protected], segue à disposição de todos que queiram comunicar-se comigo.

Agradeço a Deus, que até aqui me guiou nessa jornada e livrou-me, sempre, dos perigos e tropeços próprios a todos os viajantes que se propõem a trilhar vastos caminhos, e peço a Ele que continue a conduzir-me e proteger-me.

Agradeço aos portos que me deram guarida e a todos que viajaram comigo.