“É, ué, põe ovo”

A expressão acima foi retirada de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, que mostram como os empresários investigados na Operação Prato Feito, deflagrada nesta semana pela Polícia Federal, davam sugestões para alterar o cardápio da merenda.

Homem: Não põe carne.
Mulher: Não servir carne no dia?
Homem: É, ué, põe ovo.

Substituir a carne oferecida às crianças na merenda escolar, cujos pais cumprem com suas obrigações como cidadãos, pagando os impostos em dia, muitos trabalhando um mês inteiro pelo salário mínimo de R$ 954. Uma infeliz forma de tratar a alimentação de crianças durante o seu período escolar. Ganância e corrupção já repetidamente tratadas em tantos editoriais, em tantos jornais, de todo o país.

 

E infelizmente, mais uma vez o Brasil “passa vergonha”. Após três anos de investigação, depois de analisar as interceptações telefônicas e quebrar sigilos bancário e fiscal dos envolvidos, a Polícia Federal pediu a prisão temporária de 62 pessoas entre empresários, lobistas e agentes públicos, suspeitos de fraudarem o sistema de licitações, promovendo um desvio bilionário da merenda escolar. A Justiça negou o pedido, mas determinou que 16 suspeitos sejam afastados da função pública e proibiu as empresas investigadas de participarem de novas licitações com o setor público. Uma ação na semana foi feita, e em nossa região ex-funcionários da Prefeitura de Mairinque são alvos das investigações.

 

Não existem palavras que descrevam pessoas capazes de participarem diretamente ou serem coniventes e omissas a esquemas como este. O mais triste ainda é imaginar ou saber que esta não foi e nem será a única vez que o mau caráter de algumas pessoas lesará o dinheiro público, e ainda pior, o bem estar de quem provém este recurso com muito sacrifício. Não se pode perder a esperança, e principalmente, ter muita atenção no próximo dia 7 de outubro.