Mortes que levantam suspeitas

Todas as mortes causam algum tipo de consternação, uma vez que são episódios que acionam inconscientemente o instinto de preservação, criado pelas forças da natureza para que ele sirva de protetor à nossa vida.

Sendo assim, sempre que abordamos assuntos que envolvem esse tema, um sentimento oculto e muitas vezes mascarado se movimenta em nosso interior, causando reações de maior ou menor intensidade, dependendo das circunstâncias que cercam o caso. Esses episódios podem causar simples lástimas, indignação, ou perguntas a serem esclarecidas.

Diversos acidentes trágicos ceifaram vidas famosas na sociedade, deixando em aberto muitas perguntas, as quais não foram respondidas mesmo com a liberação de laudos técnicos explicando o ocorrido, uma vez que muitas possibilidades não foram descartadas, pairando inevitavelmente dúvidas sobre as reais causas das mortes em questão.

O acidente com o ministro Teori Zavascki, responsável pelos julgamentos da Operação Lava-jato, é um dos grandes mistérios, uma vez que, segundo as perícias, a aeronave estava em excelentes condições de uso, e seus tripulantes gozavam de imensa reputação. Por que então ocorreu o acidente fatal? O mesmo se dá com diversos casos tais como o de Eduardo Campos, Ulisses Guimarães, Castelo Branco e, agora, Ricardo Boechat. Todos foram figuras envolvidas com grandes questões nacionais, e a primeira pergunta que é formulada é: a quem poderia interessar suas mortes?

No caso de Boechat, o acidente com um jornalista dessa magnitude deixa muitas dúvidas – com o que ou com quem ele estava mexendo? Corre um boato nos bastidores que ele iria lançar uma matéria bombástica nos próximos dias que afetaria muita gente importante; isso pode estar relacionado com sua morte, ou é mera ficção?

Além dos casos de acidentes, existem os assassinatos que de certa forma estão ligados às questões políticas, como a morte da vereadora Marielle Franco, lembrando que desde 2017, cerca de quarenta políticos perderam a vida de forma violenta.

Não podemos esquecer o assassinato de Celso Daniel, bem como o de quase todas as testemunhas envolvidas no caso. O mesmo ocorreu com diversas pessoas que dariam depoimentos contra a Odebrecht, como ocorreu recentemente na Colômbia, em que um auditor, um ex-secretário e o filho de um deles, morreram envenenados de forma misteriosa.

“Tirar de cena” aqueles que oferecem perigo ou que vão contra os interesses dos poderosos, é uma prática utilizada desde os primórdios da humanidade. Julio César, por exemplo, foi assassinado publicamente pelos senadores no ano de 44 AC, e o mesmo vem ocorrendo por toda nossa história – quem incomoda é “removido”

Em nosso tempo, tivemos a tentativa de assassinato de Jair Bolsonaro, lembrando que no passado, tantos outros chefes de estado passaram pelo mesmo problema, tais como John F. Kennedy e Abranham Lincoln.

Até quando a humanidade terá a violência como ferramenta para suas questões?

Disney Medeiros Raposo