O ciclo de violência

Como parar o atual ciclo de violência que se instalou no Brasil? Profissionais de diversos segmentos opinam a respeito, sem apresentarem uma solução, ou mesmo um projeto que seja realmente eficaz para o fim do problema.

Os registros mostram que a cada 8 minutos uma vida é ceifada de forma violenta no território nacional por motivos diversos, sendo que em apenas uma semana ocorreram 1.195 mortes – são cerca de 60 mil homicídios por ano, dos quais 89 % das vítimas são homens. Em busca de soluções, o Núcleo de Estudos da Violência da USP, bem como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, vem desenvolvendo parcerias com outros segmentos, na tentativa de encontrarem um caminho que leve à minimização da situação. Entre os casos registrados, nos quais existem crimes que muitas vezes foram esquecidos, encontram-se homicídios, latrocínios, feminicídios (perseguição e morte intencional de pessoas do sexo feminino), suicídios e mortes por intervenção policial.

Infelizmente esses números ultrapassam os índices pertinentes às guerras da atualidade, o que se constitui em grande vergonha para o nosso país, dito sem lei, dominado pela corrupção política e empresarial, que ditam as regras do jogo.

A violência é fruto da má interação do ser humano com o mundo repleto de oportunidades que o cerca, sendo que muitos de seus itens estão fora do alcance da maioria das pessoas, que entendem que as boas oportunidades são para poucos. Os desejos inalcançáveis se constituem na grande gama de frustrações que acometem o homem comum, que, não entendendo a sim mesmo, não consegue se conscientizar dos verdadeiros valores da vida, do que realmente tem importância, e do que vale a pena pagar um preço para sua aquisição.

O egoísmo exacerbado, quando o indivíduo pensa apenas nele, e se sente o centro do universo, faz com que os parâmetros de humanidade deixem de existir. Ele é tudo que importa, e sua vontade e direitos estão acima de todas as coisas. Ele é a lei, e suas necessidades superam os direitos das demais pessoas. Assim, o indivíduo quebra todas as regras humanitárias, pisa nos padrões morais e nos bons costumes, e vomita sua bílis indigesta sobre todas as leis e demais conceitos sociais.

A decadência dessas pessoas que se enveredam no mundo do crime, é propiciada em grande parte pela degradação da moral e dos bons costumes. Os maus exemplos dados pelos “formadores de opiniões” que nefastamente corromperam a mente dos jovens, incutindo nelas valores distorcidos, e comprometendo seriamente as diversas instâncias da libido, resultaram nisso: indivíduos que vivem em uma falsa concepção de realidade, cuja trajetória de si mesmo é o abismo sem volta.

Para recolocar o país no eixo, é preciso mais que combater as questões políticas e econômicas. É necessário acima de tudo, restaurar a moral e os bons costumes que parte da população perdeu em decorrência da má atuação dos últimos governos.