O círculo do amor – A história de Pedro

Pedro quase não viu a senhora com o carro parado no acostamento, mas percebendo que precisava de ajuda parou o seu carro e se aproximou. Apesar do costumeiro sorriso que sempre levava estampado na face, a mulher ficou preocupada porque ninguém havia parado antes. Pedro parecia um pouco abatido, pudera, estava faminto e praticamente sem dinheiro. Desempregado havia quase um ano e sua esposa gravida da primeira criança, sobrevivia de pequenos biscates. Percebendo que ela estava amedrontada, disse:

__ Eu estou aqui para ajudar, não tenha medo. Por que não espera dentro do carro onde está quentinho? A propósito, meu nome é Pedro. Abaixou-se, colocou o macaco e levantou o carro e apesar de sujar e ferir as mãos, num instante estava trocado o pneu. A mulher lhe perguntou;

__De onde você é? Ele disse que morava não muito longe dali, numa cidade pequena e que já estava quase em casa. Pedro era pobre, mas muito feliz ao lado da sua esposa. Ela agradeceu muito pelo socorro e Pedro apenas sorriu enquanto se levantava. Ela perguntou quanto lhe devia? Qualquer quantia teria sido muito pouco para a rica senhora. Mesmo porque já tinha até imaginado as terríveis coisas que poderiam ter-lhe acontecido se Pedro não tivesse parado. Pedro não pensava em dinheiro, aquilo não era um trabalho para ele, gostava de ajudar quando alguém tinha necessidade, esse era sem duvida o seu modo de viver.

__ Olha senhora, se realmente quiser me reembolsar, faça isso com a próxima pessoa que encontrar precisando de ajuda! Quando fizer isso, pense em mim. Esperou até que ela saísse com o carro e também se foi. Tinha sido um dia frio e deprimido, mas ele se sentia bem indo para casa enquanto pensava seriamente na esposa e na criança que esperavam. Enquanto isso na estrada a rica senhora já com fome, encontrou um pequeno restaurante onde entrou para comer alguma coisa. Era um tanto sujo e a cena era estranha para ela. A garçonete com um lindo sorriso e muito educada veio até ela e trouxe-lhe uma toalha limpa para que pudesse esfregar e secar o cabelo molhado, pois lá fora tinha começado a chover!

O sorriso lindo da garçonete não apagava o ar de cansaço de um dia inteiro de trabalho e com os pés doendo. A senhora notou que a garçonete estava mais ou menos com uns oito meses de gravidez e que não deixou a tensão e as dores mudarem sua atitude. Ficou surpresa em ver como alguém que tinha tão pouco na vida podia tratar tão bem a um estranho. Nisso lembrou-se de Pedro, o trocador de pneus. Depois que terminou a refeição, enquanto a garçonete buscava troco para a nota de cem reais, a senhora se retirou. Já tinha partido quando a garçonete voltou e viu que embaixo do guardanapo tinha mais trinta notas de cem. As lágrimas desceram pela sua face quando leu o que a senhora havia escrito naquele simples guardanapo.

“Alguém me ajudou uma vez na estrada escura e disse para eu passar adiante a ajuda que da mesma forma eu estaria lhe ajudando. Se você realmente quiser me agradecer, não deixe este círculo de amor terminar em você”.

Naquela noite, quando foi para casa mais feliz do que em outros dias, a futura mamãe deitou-se na cama ao lado do marido pensando no dinheiro que recebera e no que estava escrito no guardanapo. Perguntou ao esposo; como pode aquela senhora saber o quanto eu e você meu amor, precisávamos desse dinheiro? Agora podemos pagar o hospital para esperar nosso bebê. Virou-se para o preocupado marido que já dormia e nem escutara o que dissera, deu-lhe um beijo macio e sussurrou:

__ Tudo ficará bem, meu amor. Eu te amo Pedro.

Abraços do Bispo Cláudio e bom final de semana a todos os leitores que ajudam pessoas necessitadas e não vão deixar quebrar o circulo do amor.