O drama dos moradores irregulares

A sociedade é composta por pessoas de diferentes composições, que dizem respeito aos perfis: econômico, social, cultural, religioso, etnia e nacionalidade. Junte-se a isso a formação de grupos que possuem identidades próprias, e lutam por suas convicções e conquistas, criando aglomerados de pessoas que foram de alguma forma, direcionadas para eles, as quais, precisaram se submeter às regras impostas e a um estilo de vida diferenciado, sendo muitas vezes degradante. Precisaram esquecer suas origens e os costumes que possuíam, para se adaptarem a uma nova realidade. Nesse meio, como é de se esperar, existem facções poderosas que exercem domínio predominante, controlando os grupos existentes. A vida dos que pertencem a esses núcleos quase sempre é de sofrimento, uma vez que vivem na condição de submissão.

Quando falamos em miséria, entendemos que ela significa a pouquíssima quantidade de recursos, sem nos darmos conta de que, mesmo nessa condição, é possível tirar algum valor, por mínimo que seja dos que se encontram nessa situação. Subtraindo-se quantias ínfimas, num universo de milhares de pessoas, teremos uma grande fortuna.  Os crápulas conhecem essa “matemática”, vivem disso, e se enriquecem com essa artimanha.

Analisemos a situação dos que vivem em prédios invadidos, cuja realidade veio à tona com o incêndio no edifício Wilton Paes de Almeida. Nesse edifício viviam pessoas com pouquíssimos recursos, que mal conseguiam prover o próprio alimento, mas que eram obrigadas a pagar quantias variadas para poder morar lá. Um dos moradores afirmou que desembolsava R$ 400 por mês, e que se não o fizesse, seria despejado. Outras famílias pagavam valores menores.

Era um caso de extorsão, uma vez que essas quantias cobradas nunca foram para nenhum projeto, não pagavam as manutenções do prédio, e o destino era um só: os bolsos dos que se diziam administradores dos espaços.

No entanto, há prédios nessas condições que são bem administrados, e as quantias (bem menores) dadas como contribuição são realmente aplicadas nas manutenções do conjunto. Um belo exemplo, embora seja feito em edificações invadidas.

O governo através da Receita Federal fiscaliza tudo, câmeras inteligentes identificam os veículos com os impostos atrasados, o monitoramento dos aeroportos filma e identificam os rostos das pessoas procuradas, helicópteros com câmeras de alta definição conseguem captar os menores detalhes, inclusive com sensores de temperatura que conseguem acusar a presença de um ser vivo na escuridão etc.

A tecnologia e os recursos de hoje dão um show quando se trata de vigiar o homem, mas são extremamente deficientes na prevenção e solução de suas necessidades primárias.  Qual deve ser o verdadeiro papel das instituições?

O bem estar do cidadão deveria ser a principal preocupação do governo.