O incêndio do Museu Nacional


Grandes acervos culturais já foram perdidos na humanidade, seja por ação do homem, ou da natureza. Na antiguidade, o fato mais marcante, que causou um dano sem precedentes na história da humanidade, foi o incêndio da Biblioteca de Alexandria.

Ela possuía os registros de incontáveis civilizações, muitas delas já desaparecidas naquela época, detendo informações valiosas sobre a vida dos homens, no tocante aos meios sociais, religiosos, literários e da ciência. Se seu valioso conteúdo tivesse chegado aos nossos tempos, não estaríamos tão cegos em relação aos nossos antepassados, os quais com certeza detinham preciosas informações acerca de todas as circunstâncias que moveram a humanidade por milênios. Muitos historiadores afirmam que o episódio foi criminoso, uma vez que não existiam aparatos provocadores de fogo, nem revestimentos inflamáveis como os que hoje possuímos. O incêndio de Roma nos anos de 64 DC, cujo autor foi o próprio Nero, também impactou um dos mais poderosos povos da sua época, trazendo perdas irreparáveis para a arte e para a história romana.

Hoje, lastimamos a destruição pelo fogo do Museu Nacional no Rio de Janeiro, um importantíssimo acervo da história do Brasil, com peças de importância internacional. È curioso como algo de tanta importância não possuísse poderosos equipamentos de combate a incêndio, o que mostra total incapacidade administrativa por parte do governo e seus dirigentes. O Museu Nacional era para o Brasil o que o Louvre é hoje para a França, com a diferença de que lá, as coisas são levadas a sério. Imaginem se um museu desse porte pegasse fogo? Seria uma tragédia mundial.

Hoje, o Rio de Janeiro chora pelas cinzas que sobraram do prédio de duzentos anos e de seu precioso conteúdo, entre os quais, os restos de Luzia, o fóssil humano mais antigo encontrado no país. É irônico ver que, restos mortais de uma mulher, que atravessou incólume os tempos, tenham sido reduzidos a cinzas justamente na época da tecnologia na qual vivemos.

Ontem foi São Paulo que chorou, diante das cinzas do incêndio do Museu da Língua Portuguesa em 21 de dezembro de 2015. As instalações abrigavam importantes acervos valiosos que foram consumidos pelas labaredas. No tocante à literatura, as mesmas possuíam cópias digitais que poderão ser reproduzidas para serem perpetuadas, diferente dos tomos valiosos, preciosidades que valiam grandes cifras e que agora ficaram apenas nas lembranças.

É difícil crer que incêndios dessa espécie sejam obras do acaso, uma vez que são muito específicos. Não adianta chorar por leite derramado, pois a vida continua. O importante é preservar o que ainda nos resta, para que possamos ter o que mostrar para nossos descendentes.