Os desentendimentos dentro do governo

Os desencontros de opiniões, bem como de postura e nas ações combinadas, vem assolando os últimos governos brasileiros, deixando uma imagem de desorganização e de falta de responsabilidade no cenário internacional.

Não é de hoje que as desavenças entre presidentes e subordinados ocasionam gafes homéricas, expondo ao ridículo aqueles que deveriam transmitir uma imagem de segurança à população. O caso se assemelha a um ninho de ratos, onde cada um corre para um lado em busca de seus próprios interesses. O atual presidente está se esforçando para “por ordem na casa”, coisa que dificilmente conseguirá de forma geral, uma vez que as divergências de opiniões são abundantes, e a corrupção, que altera significativamente as condutas políticas, está alojada por detrás de cada parede das instâncias governamentais.

As atenções hoje estão voltadas para a operação Lava Jato, e também para o Supremo Tribunal Federal, que se tornou em verdadeira arena de combate, cujas estrelas são os próprios ministros que o compõe. Há um evidente “racha” entre eles, devido às divergências existentes, as quais são em decorrência das origens de cada um deles, e de como chegaram ao cargo que ocupam. A maioria deles foi indicada pelos governos petistas, cujas formações determinam suas atuações, como por exemplo, os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, e Ricardo Lewandowski, cujos desempenhos, em desacordo com os demais que não possuem as mesmas procedências, são no mínimo conflitantes. A polêmica levantada pelo ministro Rodrigo Janot, pedindo o impedimento de Gilmar Mendes, acirrou os ânimos, gerando um impacto de grandes proporções, que terá que ser habilmente resolvido pela ministra Cármen Lúcia. Ainda como presidente do STF, o ministro Joaquim Barbosa, durante uma tumultuada audiência, se indispôs com Gilmar Mendes, acusando-o de estar destruindo a credibilidade daquele órgão com suas atitudes, atitudes essas, que ganharam mais corpo nos últimos tempos, culminando na gravidade dos dias atuais.

É temeroso que, uma instância tão importante como o STF, que deve agir de forma imparcial para que a verdade prevaleça, e para que a justiça seja feita, esteja levando seus trabalhos movidos por ideologias, provindas de pessoas que deveriam estar lá para atuar de forma técnica e não por preferências.

O péssimo exemplo dado por essa importante instituição nesses dias difíceis está sem dúvidas contagiando outros departamentos. Se a referência que vem de cima é ruim, o que está abaixo tem grandes possibilidades de agir igual, e, assim, a credibilidade do conjunto fica gravemente comprometida.

O brasileiro vem sofrendo decepções nunca antes experimentadas, e, frente à guerra de informações e de disputa pelo poder que atônito vê ocorrer diante de si, esperar por dias melhores a curto prazo, se torna uma utopia.

Brasil, diga o nome do seu sócio…confia em mim. (Cazuza)

Disney Medeiros Raposo