Os massacres da mídia

O leitor ainda deve se lembrar da morte da princesa Diana – a Lady Di – em 31 de agosto de 1997, vítima de um acidente de trânsito no túnel Ponte de l’Alma em Paris. Naquela noite, ao sair de um restaurante, foi cercada por uma multidão de paparazzi, causando-lhe grande incômodo, e, por mais que ela procurasse outras saídas, eles estavam lá para admoestá-la.

Desesperada, ordenou ao motorista que a retirasse rápido dali. O veículo parte em disparada, mas é perseguido pelos ávidos fotógrafos, até que o choque fatal com uma coluna de concreto pusesse fim à correria.

Os paparazzi já foram motivos de brigas e agressões em todas as partes do mundo, pois ninguém quer ter sua imagem registrada em momentos de intimidade. Junto com as fotos, vem a descrição do momento flagrado, redigida por jornalistas inescrupulosos, que procuram “apimentar” aquele instante dando-lhe interpretações quase sempre bombásticas e comprometedoras. A briga pela audiência e venda de produtos impressos, move esse pernicioso mundo das informações, fazendo com que seus profissionais percam a decência, a dignidade, e o respeito pelo próximo. Tudo é válido em busca de uma manchete famosa.

O jornalismo, detentor da nobre missão de informar, pode ser usado de diversas formas e intenções. Um fato pode ser descrito tal qual aconteceu, como também pode ser relatado de acordo com a interpretação de quem o redige, entrando no processo as intenções, convicções e interesses diversos. Os tabloides ingleses surgiram em meados do século XX, com o objetivo de aumentar as vendas dos jornais impressos. Seu objetivo era o sensacionalismo, que quase sempre não media as conseqüências, o que lhes traziam grandes processos indenizatórios. O modelo se propagou para o mundo, e está presente em nosso território na forma mais vil, a mentirosa.

Nunca parte da nossa mídia foi tão depravada, irresponsável e inverídica, como no período em que vivemos, o qual se iniciou com as últimas eleições. A disputa acirrada, e a clara perspectiva do destronamento do governo esquerdista, fez com que todos os parâmetros fossem desprezados em decorrência da luta pelo poder. As difamações se propagaram como nunca, surpreendendo até os mais “calejados” nas campanhas políticas.

Agora, as diretrizes são os interesses políticos que movimentam os bastidores. O novo governo pretende quebrar o sistema corrupto que se apoderou do país em todos os setores, incluindo o da mídia, o que está causando as reações televisivas e impressas que estamos presenciando.

Apesar de haver casos gravíssimos de prejuízos à nação, o mau jornalismo insiste em apedrejar pessoas que são vítimas em decorrência de quem são, e não do que possam ter feito em suas vidas, chantageando assim todo o novo sistema que está sendo implantado. É uma lástima.

Artigo: Disney Medeiros Raposo