Os péssimos exemplos nas instituições


Davi Samuel Alcolumbre Tobelem, filho de Samuel José Tobelem, cuja família chegou ao Brasil em 1905, é o primeiro judeu a presidir o Senado no Brasil. O fato chama a atenção, pois ocorre em um momento histórico de aproximação entre Brasil e Israel, promovida pelo Presidente Jair Bolsonaro, culminando com a visita do Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Em decorrência desse encontro, o país mandou integrantes militares para ajudar nas buscas das vítimas de Brumadinho, colocando-se em alinhamento com o governo brasileiro para a realização de grandes parcerias.

Entramos em uma nova era, com um governo composto por pessoas de tal magnitude, que suplantou todas as configurações anteriores. No entanto, para que tenhamos sucesso nessa nova empreitada, é preciso que as principais instituições estejam funcionando de forma impecável, o que nos remete à situação atual do Senado e do Supremo Tribunal Federal.

Quem pode acompanhar a votação para a presidência do Senado, presenciou cenas lamentáveis de conduta por parte de alguns senadores. Houve até quem roubasse das mãos de quem estava presidindo a sessão, uma pasta com documentos, impossibilitando que os trabalhos continuassem.

Como se não bastasse esse vexame, havia uma cédula a mais na contagem dos votos, preenchida com o nome de Renan Calheiros, muitos xingamentos, ameaças e todos os tipos de deselegâncias. As pessoas parecem que não se dão conta de que estão sendo televisionadas e divulgadas para o mundo, e que manter uma boa postura é fundamental para a nossa imagem. De imediato, é preciso repudiar o comportamento da parlamentar, bem como a fraude do voto a mais, que depõe contra a lisura de todos que ali se encontravam. O fraudador precisa ser identificado e punido exemplarmente a bem da dignidade da casa, assim como quem agrediu o representante da mesa tirando de suas mãos os documentos.

O episódio revela a existência de grupos bem formados entre os senadores, os quais se dispõe a praticarem o que for preciso para atingir seus objetivos.

Junte-se a isso, a atitude questionável do Presidente da Suprema Corte Dias Toffoli, que na calada da noite – 4,30 hs – emitiu a ordem para que a votação no congresso fosse secreta, não expondo assim a posição dos senadores. A medida visou claramente ajudar a Renan Calheiros, alvo de 14 ações engavetadas “inexplicavelmente” nas mesas do Congresso. Com o sigilo, aqueles que lhe devem alguma coisa, poderiam dar seu voto sem se comprometer com seus eleitores, o que daria a ele grandes chances de ganhar a presidência, o que seria trágico para o novo governo.

Essa atitude vinda do Supremo, bem como a libertação descabida de condenados e outras decisões absurdas, comprometem seriamente mais essa instituição. Precisaremos ainda de grandes mudanças no país.

Texto: Disney Medeiros Raposo