Parece mas não é

Eu diria que o Brasil está passando pela síndrome do mimetismo, isto porque, uma enorme quantidade de políticos, empresários, artistas e pessoas comuns, de índole ruim e natureza perversa, se vestem de posturas e imagens decentes, indo se misturar às pessoas de bem, de forma que sejam confundidas com elas e não sejam identificadas. São verdadeiros “lobos em pele de cordeiro”.

A “delação do fim do mundo”, como estão sendo chamadas as denúncias dos executivos da Odebrecht, escancara a verdadeira realidade que existe nos bastidores da política, da sociedade e do mundo financeiro. Ela não é a única a ter utilizado esse “modus operandis”, e a porta agora está aberta para que outras empresas também venham a denunciar, na esperança de se livrarem de punições maiores.

Grandes grupos que se apresentavam como exemplos de conduta e competência, nada mais são que plataformas do crime organizado. Famosos empresários, tidos como filantropos, ocultavam por trás da máscara que exibiam à sociedade, uma personalidade mesquinha, desonesta, e contrária a tudo que pareciam ser. E a classe política…essa que decepciona de forma progressiva a todas as pessoas de bem…se transformou em algo fétido e nojento.

Sua classificação é a pior possível, e muitos de seus integrantes, que sempre se apresentaram como pessoas honestas e íntegras, agora são denunciadas, tendo suas verdadeiras personalidades expostas à sociedade.

Honra é algo desconhecido para eles, e a primeira ação de todos os denunciados, é desmentir as acusações, mesmo que essas sejam evidentes ao ponto de não deixarem dúvidas.

A população está em choque com tudo que está vindo à tona; não que ela desconhecesse que havia corrupção no país, mas, que não fosse nas proporções que estão sendo reveladas. Esse desvio de conduta sempre foi alvo de piadas e programas humorísticos, lembrando que o humorista Chico Anysio criou um personagem chamado Justo Veríssimo – um político corrupto (cujos jargões eram “tenho horror a pobre” e “quero que pobre se exploda”) –, que satirizava a conduta de muitos personagens desse disputado universo.

Nesse aspecto, o brasileiro tem culpa pela situação existente hoje, uma vez que, embora sabendo das falcatruas cometidas por políticos e empresários, nunca levantou um dedo para questionar o que acontecia. Para usar uma analogia, o povo é como um potente búfalo, que, apesar da força que tem, se deixa dominar por uma argola presa nas ventas. Está na hora da população se conscientizar do poder que possui nas mãos, arregaçar as mangas, e por fim a essa grande palhaçada na qual se transformou a nação.