Dados revelam que Polícia Militar só usa metade da tropa no patrulhamento


Do efetivo total da Polícia Militar do Estado de São Paulo, somente a metade, aproximadamente, está nas ruas realizando patrulhamento preventivo/ostensivo.

É isso o que mostram dados obtidos pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo junto ao Departamento de Inteligência da Polícia Civil. A informação veio de uma análise do Registro Digital de Ocorrências (RDO), selecionando-se os RGs de condutores e/ou testemunhas, nos boletins de ocorrências criminais registrados nos distritos policiais (pessoalmente) e na Delegacia Eletrônica (via internet).

Em 2017, 2.587.988 ocorrências criminais e não criminais foram registradas nas delegacias do estado de São Paulo (sem contabilizar as ocorrências registradas pela Delegacia Eletrônica). Dessas ocorrências, 123.054 foram autos de prisões em flagrante. Desses, a PM apresentou 80.781, sendo 37.325 por policiais distintos, que figuram como condutor ou testemunha. A Polícia Civil registrou 23.240 e outros condutores constam em 19.033 flagrantes.

No mesmo ano, das ocorrências criminais e não criminais apresentadas nos distritos policiais (2 milhões, 587 mil e 988 ocorrências), a PM apresentou cerca de 10%, ou seja, 268.537 ocorrências, em que figuraram como condutores 39.242 policiais distintos, podendo cada um deles ter apresentado uma ou mais ocorrências (flagrante ou não) dentro do número total de apresentações pela corporação militar.

Como condutores ou testemunhas, figuraram 47.305 policiais militares distintos em todas as ocorrências apresentadas no ano de 2017 pela Polícia Militar em todo o estado de São Paulo. Eles apresentaram ou estiveram presentes em todos os tipos de ocorrências, criminais e não criminais, nas delegacias físicas.

Finalmente, no mesmo ano da pesquisa, o total de boletins de ocorrência registrados (tanto nas delegacias físicas quanto na delegacia eletrônica) foi de 3 milhões, 882 mil e 282. Desses, 1 milhão, 791 mil e 760 foram de natureza não criminal e 2.090.522 de natureza criminal.

A princípio, a iniciativa do sindicato em solicitar números ao Dipol tinha como objetivo descobrir o número de delegados que estavam realizando sua atividade fim, porém, o levantamento acabou por apontar esse preocupante panorama do policiamento ostensivo do estado de São Paulo, indicando uma grande ausência de parte da tropa nas delegacias.

Tudo leva a crer, pelos dados, que apenas 47.305 policiais militares estão nas ruas. E os demais? O policiamento ostensivo é o que tem como obrigação prevenir o crime, transmitir a sensação de proteção e segurança à população. É o policiamento preventivo que vai evitar que o crime ocorra para que, assim, a Polícia Judiciária possa se dedicar à investigação de quadrilhas e ao encarceramento de criminosos.

A grande quantidade de ocorrências criminais 2.090.522 – registradas nas delegacias físicas e na delegacia eletrônica – revela que a PM não evita a prática de crime de forma eficaz, e na relação de crimes ocorridos versus a situação vivenciada pela Polícia Judiciária paulista, com apenas 2.207 delegados na atividade fim, as autoridades policiais teriam que investigar 1.172 crimes por ano ou mais de três crimes por dia, se trabalhassem sem descanso por 360 dias. A conta não fecha. E ainda há que se considerar as subnotificações de milhares de casos.

É preciso investir num policiamento inteligente, visando a diminuição da criminalidade.

“Diante da situação de insegurança em que vive o estado de São Paulo, é inaceitável que cerca de metade do efetivo da Polícia Militar não esteja realizando sua função primeira, que é basicamente o patrulhamento. O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo aponta essa discrepância na expectativa de que a situação seja urgentemente revista pelo atual governador, pois o que está caracterizado através desses dados é que não está havendo correta aplicação do material humano de mais de 90 mil homens e mulheres, implicando diretamente no aumento da criminalidade e na sensação de insegurança da população paulista”, aponta Raquel Kobashi Gallinati, presidente do SINDPESP.