Quando a vida não possui valor

A guerra na Síria, levada a punho de ferro pelo ditador Bashar al-Assad, vem desde 2011 causando destruições e matando pessoas, em sua maioria civis, que não tem para onde ir. A falta de recursos da população para fugir da região, a condena a enfrentar a morte certa, que ocorre em decorrência dos bombardeios que não dão trégua, ou das ações criminosas dos soldados que lutam pró e contra o regime em questão. Essa carnificina vergonhosa sempre foi abafada pelos órgãos nacionais e internacionais, por terem uma conotação religiosa, que sempre forneceu o aval para a matança generalizada, independente se as vítimas fossem civis, sendo elas crianças, mulheres ou idosos. Com a roupagem de guerra santa, os soldados estavam autorizados a cometerem as barbaridades que quisessem não sendo levado em conta o quanto suas ações fossem desproporcionais e afetassem os inocentes.

A UNICEF demorou uma eternidade para se manifestar contra a morte de mais de 1.000 crianças que sucumbiram frente à matança generalizada desde o início do ano, demonstrando que todos os movimentos da guerra são geridos por interesses políticos que envolvem a Síria, a Rússia, e demais países da região, que tem grandes interesses no país devido às suas reservas naturais.  Em meio às disputas sangrentas entre as etnias, surgiu o Estado Islâmico, que implantou um califado absurdo que cometia crimes inimagináveis até então.

Com o argumento de ser preciso derrotar os opositores ao regime, as forças militares da Síria apoiadas pelo exército russo, arrasaram a população como um rolo compressor, esmagando guerrilheiros e civis sem distinção, uma vez que as forças do governo não se interessavam em separar o joio do trigo. Muito covarde a atitude dos dois lados. Um, que usa a população como escudo para se defender, o outro, que menospreza essa defesa e a aniquila junto com os opositores. A vida é algo sem valor perante o jogo de interesses que alimentam a aliança entre ditador e aliado, e entre opositores e países interessados nessa luta estúpida.

A política e as religiões, que deveriam estar a serviço do ser humano, protegendo-o e conduzindo-o a estados superiores de evolução, não passam de seus algozes, que ceifam suas vidas em meio à luta pelo poder. A ONU se depara com uma Rússia poderosa e não se atreve a impor limites para suas ações, endossando o pressuposto de que a força vale mais que a razão.

No Brasil, também temos nossas barbaridades. No Rio de Janeiro, pessoas são executadas friamente durante os assaltos, bandidos nos morros atiram a esmo sem se importarem aonde suas balas chegarão…lá fora ou aqui: como a vida vem valendo menos a despeito de a humanidade estar rumando às estrelas.

Texto: Disney Medeiros Raposo