Quando as coisas dão errado

Que os últimos governos brasileiros foram marcados pela corrupção e pela incompetência, não é novidade para ninguém, porém, agora, estamos vendo a administração atual perdida como nunca, e a proximidade do cadafalso, que assombra seus dias, está fazendo com que seus integrantes, agitados e desorientados, corram de um lado para outro, chocando-se entre si e acusando-se mutuamente.

A crise se aprofunda a cada dia que passa, sem que seus líderes saibam ao certo o que está acontecendo. Para fazer a intervenção militar no Rio de Janeiro, foi enfatizada a Constituição de 1988, que foi reformulada com forte influência política tendenciosa, que por sua vez foi influenciada por segmentos duvidosos quanto à ordem e aos bons costumes, resultando disso um produto questionável. As situações decorrentes da sua interpretação são preocupantes, agravando-se na medida que novos casos vão surgindo, e dia chegará que ela precisará ser remodelada por pessoas gabaritadas juridicamente, e não por aventureiros que trabalham em causa própria.

O episódio dos caminhoneiros foi uma surpresa para todos, e lembrando aqui o saudoso Marcelo Rezende, que comentava em seus programas a força que a categoria possui, concluímos que nunca ninguém se preocupou com eles, a despeito da importância dos seus trabalhos. A despeito disso, em decorrência do movimento a que deram início, foram hostilizados pelo governo e pela mídia televisiva, que criminalizou a todos os integrantes da categoria, não levando em conta que os bloqueios foram feitos por agitadores, não se sabe a mando de quem, pois os caminhoneiros autênticos queriam apenas paralisar suas atividades, direito legítimo que possuem. Os programas jornalísticos da TV, que fizeram acordos com o governo, insistiram em difamar esses profissionais, pondo a população contra eles, o que acabou não dando muito certo. As emissoras caíram em descrédito com suas audiências, pois a população não confia mais nelas, devido às notícias serem manipuladas de acordo com interesses escusos. Notem que as balas perdidas no Rio de Janeiro, que eram noticiadas diariamente, acabaram. A cidade ficou em paz?

O país não vai bem. A alta concentração financeira em diversos setores da economia, em paralelo com grupos financeiros que “tiram a pele” da população, precisam ter um fim, pois estão tornando a vida da maioria dos brasileiros insuportáveis. Como se diz no jugo popular: estamos vendendo o almoço para comprar o jantar.

O rompimento institucional é eminente, e o governo, perdido, procura culpar alguém pelos acontecimentos, aplicando multas impagáveis, não se dando conta de que a farra acabou, e que a “nova república” corre grandes riscos, e precisará ser reformulada.

O desenrolar dos fatos não pode ser contido, e as consequências poderão ser arrasadoras. O povo finalmente está fazendo valer o poder de sua voz.