São Roque dourada de ipês

Aqui, ali e acolá, um majestoso pipocar de flores amarelas colore a cidade. E como é bom, mais uma vez, ver São Roque dourada de ipês!

Sejam pequeninos e ainda tímidos ou copados e exuberantes, os ipês amarelos exercem um fascínio irresistível sobre os são-roquenses, que têm uma relação tão antiga quanto afetuosa com essa árvore.

Nativos também da região de São Roque, os ipês já integravam a paisagem quando Pedro Vaz de Barros aqui chegou e, graças aos ventos – que ao longo destes 360 anos espalham suas sementes – e a sucessivas gerações de são-roquenses – que não se cansam de plantar novas árvores – ainda estão por aqui, a dourar agostos e setembros.

Embora presentes em muitas ruas, estradas, quintais e jardins, em ambientes urbanos e rurais de São Roque, ainda faltam ipês à cidade, que tem nessa árvore um dos seus mais marcantes símbolos.

Há três anos, nesta mesma coluna, falei sobre ipês. Não era um ponto sem nó.

Não pretendia apenas me declarar embevecida com a deslumbrante profusão de suas florações de ouro a engalanar cenários são-roquenses, mas, também, movia-me o firme propósito de chamar a atenção das autoridades sobre a importância de se incentivar o plantio e o cultivo adequados de ipês amarelos e de despertar na população um carinho ainda maior por essa espécie e o desejo de tê-la em seus quintais, em seus jardins, em sua cidade.

Essas ideias foram semeadas com a intenção de que a cidade fique tão dourada que o ipê passe a ser sua árvore símbolo e, logo mais, São Roque terá tudo para tornar-se a capital paulista dos ipês.

Algum vereador poderá abraçar a ideia e encaminhar um projeto de lei sobre isso à Câmara Municipal. O projeto, todavia, precisará ir além do papel.

Repartições públicas e escolas obrigatoriamente deverão ter os seus ipês.
Proprietários de imóveis particulares que mantiverem ipês adequadamente cultivados em suas residências e estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços poderão ter descontos no IPTU ou outros benefícios fiscais, assim como as empresas que se fizerem parceiras dessa iniciativa.

Haverá competições anuais para escolha dos ipês mais bonitos e viçosos e concursos de fotografias elegerão as mais belas imagens da árvore símbolo de São Roque.

É fato que ipês são impróprios a proporcionar sombra e permanecem com aspecto ressequido durante quase todo o ano. Assim, há que se evitar seu plantio exclusivo em espaços onde as pessoas buscam se refrescar, como praças, por exemplo.
Uma conjugação de esforços entre a Prefeitura e a iniciativa privada pode proporcionar o cultivo de mudas para plantação em locais públicos e sua distribuição à população, para que se engaje no projeto.

O Fundo Social de Solidariedade de São Roque poderá participar ativamente deste projeto, pois, por meio do programa “Nascer Verde”, cuja proposta é plantar uma muda de árvore para cada criança nascida na cidade, neste ano já promoveu o plantio de aproximadamente quatrocentos ipês e cerca de mil outras espécies nativas, arborizando a Santa Casa, as Avenidas Zito Garcia e Aracaí e o bairro Paisagem Colonial.

A primeira dama Mazé Barros, idealizadora do programa “Nascer Verde”, afirma que “o plantio de ipês vai continuar, sempre privilegiando as áreas de proteção ambiental, a recomposição e o enriquecimento de matas ciliares e os locais mais áridos do município”.

Especialistas afirmam que a partir de três anos do plantio os ipês amarelos começam a florescer. Trata-se de um período curto e animador, mais do que suficiente para despertar nas autoridades e na população o desejo de dourar São Roque.

As floradas de ipê, fugazes e intensas, atraem, cativam e hipnotizam. Além de encantar e orgulhar os são-roquenses, milhares de turistas poderão vir à cidade todos os anos, especialmente para contemplá-los, admirá-los e fotografá-los, como ocorre com as florações de cerejeiras.

Em um futuro próximo São Roque poderá contar com o seu “Festival dos Ipês”, com uma programação voltada à visitação aos locais em que as floradas estiverem mais expressivas, atividades culturais, educativas, ecológicas e gastronômicas.
Não serão pequenos o lucro e o prestígio que São Roque haverá de auferir se decidir-se firmemente a dourar-se mais e mais de ipês.

E já que coalhei esta coluna de sugestões, termino com mais uma: que todas as escolas e creches de São Roque tenham ipês, como a Escola Municipal Barão de Piratininga, situada no Cambará. Não bastasse o espetáculo de beleza que proporcionam, as árvores poderão ser utilizadas como fonte de inspiração para o ensino de aspectos importantes da história de São Roque e contribuirão para despertar nas crianças, desde tenra idade, o apreço pelos ipês, fazendo delas as futuras guardiãs desse tesouro dourado.

Texto: Simone Judica