A ameaça do “mimimi”

As redes sociais estão inflamadas pelos discursos de “mimimi”. É como se houvesse uma grande troca de provocações, onde um aponta o dedo para o outro e ninguém chega a conclusão nenhuma. Vale ressaltar o sofrimento que esta situação ocasiona, e até porque não, o próprio termo “mimimi”, que possui um tom jocoso, mas que de forma silenciosa, se apresenta sem uma definição, e sem que ninguém compreenda muito bem o que está ocorrendo. Este é exatamente o mesmo cenário onde se situam as pessoas com maior tendência suicida, portanto, deve ser uma preocupação para a sociedade, e também algo que pode nos levar a compreender, porque enfrentamos uma perspectiva de contínuo acréscimo, no número de pessoas que cometem suicídio.

Esse tipo de discurso é predominante na geração mais jovem, que sofre com uma expectativa muito elevada em relação aos desejos pessoais. Portanto, uma geração que se sente constantemente frustrada por não alcançar seus objetivos. O jovem tem a impressão de que ele é um ser grande e único no universo, e no momento em que se dá conta de que não está só, sofre um choque de realidade. Neste universo que o jovem se imagina, existe a expectativa de que alguém deverá trazer ao seu mundo a solução para a sua angústia.

O “mimimi” é um discurso que possui tom de vitimização, portanto, de um sujeito que não se sente preparado para enfrentar os desafios, e que ao mesmo tempo, tem a sensação de que o outro é o culpado pelos problemas que ele vivencia. Sendo assim, esta pessoa passa a se queixar e responsabilizar o outro pelo seu sofrimento. Este conjunto de fatores resulta, na prática, em discussões cada vez mais hostis, e que de forma semelhante ao bullying, faz com que a pessoa passe a se sentir também, cada vez mais angustiada, e hostilizada, portanto, direcionada a ideias suicidas.

Outro fator associado a estas pessoas é o de que uma vez que não se sentem preparadas para enfrentar as adversidades da vida, também não encontram, obviamente, formas de propor soluções para estes problemas. Portanto se faz necessário, viabilizarmos uma nova forma de compreensão, que nos possibilite discutir e elaborar ideias no sentido de encontrar as soluções para os conflitos da sociedade atual.

Fonte: Gabriel Berigo-Psicólogo