Até onde devemos ajudar o outro?


Quando pensamos em ajudar alguém, logo nos vem à ideia de que estamos cometendo um ato de caridade, ou seja, por benevolência e altruísmo, desejamos ajudar o próximo. E nessa história de ajudar o próximo existem várias situações que devem ser ponderadas no sentido de avaliarmos a nossa conduta, e a real consequência de nossos atos. Quem busca ajudar o outro, ocasionalmente, pode não conseguir efetivamente ajudar o próximo, e ainda ter algum prejuízo pessoal com essa ação.

É o caso das pessoas que se sentem frustradas após não obterem o reconhecimento que esperavam, afinal, elas só tentaram ajudar o outro não é mesmo? Pessoas que agem desta maneira, estão em primeiro lugar, atuando em causa própria, pois ao ajudar alguém poderão dizer de alguma maneira “eu ajudo pessoas”, e desta forma, estão na prática obtendo um ganho para a vaidade. Caso semelhante ocorre naqueles possuem um sentimento de culpa, ou seja, não se trata de uma atitude totalmente desprovida de interesse, pois em primeiro lugar, existe o interesse de quem ajuda, em aliviar esse sentimento de culpa que ela carrega.

Nos relacionamentos amorosos, é muito comum entre os parceiros, adotar uma postura de ceder e realizar concessões, evitando possíveis atritos. Na prática, o que ocorre, é o adiamento deste conflito, e um acúmulo de mágoas, que de gota em gota, uma hora podem “encher o copo”, como dizem. São muitas as ocasiões nas quais deixamos de lado os nossos interesses pessoais visando evitar atritos. Por que uma esposa deixa de sair com as amigas? Por que ela deixa de usar a roupa que gostaria? Por que um marido deixa de jogar futebol aos domingos? Por que, após algumas horas extras no trabalho, o seu parceiro (a) reclama que você chegou mais tarde? Não seria mais prudente, justamente porque você trabalhou mais, que ele (a) o receba de forma mais acolhedora, uma vez que está mais cansado?

Na prática, as pessoas sentem que é melhor evitar estes pequenos conflitos, no entanto, o conjunto e a soma destas diversas concessões desnecessárias acaba por se tornar um problema, sendo por vezes, uma questão de tempo. É preciso ter em mente que não é egoísta buscarmos a satisfação de nossos desejos e anseios, e por menores que eles pareçam, são cruciais para o nosso bem-estar.

Artigo: Gabriel Berigo - Psicólogo