O que é ser uma pessoa generosa?


Estamos em clima natalino e muitos são os que se encarecem e buscam realizar doações a pessoas carentes ou se solidarizam com alguma causa social. Vivemos em uma cultura que fortalece essa tradição em datas comemorativas como o natal, mas afinal, e no resto do ano, as pessoas são generosas com as outras?

De maneira popular, pensamos que ser generoso e/ou altruísta, é na prática realizar alguma ação, totalmente desprovida de interesse, ou como dizem “sem obter nada em troca” para alguém. Este é o grande equívoco do senso comum, pois quase sempre nestas ações, existe algum interesse pessoal, mas que é subjetivo.

Um marido que paga as contas do lar, pode dizer que faz isso sem nenhum interesse, no entanto, pode haver nesta situação, um desejo de controlar sua esposa por meio das finanças, ou então, que ele obtenha um ganho para sua vaidade ao poder falar “sou o provedor desta casa”. Logo, a ação que supostamente não teria nenhum interesse se mostra contrária, uma vez que ele obteve ganhos secundários.

Uma pessoa que realiza doações a instituições carentes pode ter o interesse em se vangloriar disso também, e poder dizer, “eu ajudo as pessoas”, o que é algo valorizado socialmente. Pessoas que frequentemente são mais sensíveis às causas sociais podem ter um interesse em livrarem-se do sentimento de culpa que carregam, ou seja, à medida que eu ajudo o outro, eu me desfaço do sentimento de culpa que possuo, o que também pode ser considerado como algo que recebemos em troca.

Ser generoso e altruísta de fato é de certa forma intangível para nós, pois faz parte da nossa natureza e forma de pensar, a busca por ações que satisfaçam os nossos anseios e desejos mais íntimos, portanto, antes de ajudarmos ao próximo, algo em nós nos levou a desejar isso, algo que nos é particular, e que cabe a nós buscarmos o entendimento destas ideias complexas.

O que nos leva a agir desta maneira, por que, e qual é o verdadeiro objetivo que pretendemos alcançar? Muitos problemas podem ocorrer diante de uma ideia equivocada a respeito das nossas ações. Frequentemente pensamos ser alguém e somos vistos de outra maneira, e também o contrário. Buscar uma avaliação profunda acerca de nossas ações é uma forma possível de ajudarmos as pessoas, para além de datas comemorativas.

Fonte: Gabriel Berigo-Psicólogo