Por que as pessoas têm medo de serem felizes?


Parece absurdo pensarmos que alguém não desejaria a própria felicidade, no entanto existem alguns mecanismos na mente humana, que nos levam a ter um certo medo da felicidade. E por incrível que pareça, uma grande parte das pessoas tem medo de ser feliz.

É bastante comum em quem acaba de se apaixonar, por exemplo, passar a viver num certo estado de pânico. A pessoa começa a ficar amedrontada com o receio de que algo possa acabar com aquela felicidade que ela está sentindo. O mesmo ocorre quando uma pessoa está muito bem profissionalmente, e aí vem a ideia de que alguém pode lhe prejudicar, e assim, atrapalhar em algo que até então era só sucesso. De uma certa forma, quando tudo está indo muito bem, automaticamente, parece que nos sentimos ameaçados, e temos um certo receio de que algo possa dar errado. Esse tipo de situação, faz com que muitos pratiquem alguns “rituais” como o de bater na madeira, para evitar ideias que possam ser ruins, naquele momento em que tudo está bom. É como se a pessoa não tivesse o direito de estar em pleno gozo de sua felicidade.

A condição do medo da felicidade tem relação com a nossa conduta autodestrutiva, que nos leva, por exemplo, a adquirir um carro novo, e logo depois arranhar o para-choque, de maneira a acabar com aquele sentimento bom, que até então era muito grande. Quem toma alguma bebida mais forte, se sente no dever de “dar um gole para o santo”, como se somente após isso, pudesse desfrutar do prazer de beber.

O medo da felicidade é um sentimento quase que universal, apesar do fato, de nunca alguém assumir tal condição. Não temos a capacidade de fazer tal avaliação em nós mesmos, pois os mecanismos psicológicos de nossa mente, que na ocasião, estão diretamente associados a sentimentos autodestrutivos, comuns à nossa espécie, dificultam a nossa própria busca pela felicidade. Apesar de todas as dificuldades na busca de nossa realização, é preciso que sejamos corajosos para enfrentarmos os medos que nos fazem fugir da felicidade, afinal de contas, ser feliz nunca matou ninguém.

Fonte: Gabriel Berigo - psicólogo