Uma data a comemorar e um nome a homenagear

Nos próximos dias, Mairinque tem duas datas importantes a celebrar.
Em 27 de outubro se festejarão 127 anos da fundação da antiga Vila de Mayrink, idealizada pelo então presidente da Estrada de Ferro Sorocabana, Conselheiro Francisco de Paula Mayrink. E, em 5 de novembro, completar-se-ão vinte e cinco anos do falecimento de Arganauto Ortolani, o primeiro prefeito de Mairinque e uma das mais importantes figuras da sua história.

O vilarejo pertencente a São Roque cresceu e sonhou emancipar-se, o que se deu em 1958, quando a Lei Estadual nº 5.121 definiu o novo quadro territorial do Estado de São Paulo.

Arganauto Ortolani foi peça fundamental na engrenagem da emancipação.
Nascido em Capivari, no interior paulista, em 13 de fevereiro de 1923, chegou a Mairinque em 1944, devido à carreira na Estrada de Ferro Sorocabana, para ser telegrafista na Estação de Moreiras. Um ano depois foi promovido a escriturário da Chefia do Serviço Florestal e chegou a Secretário do Departamento da Via Permanente e Chefe do Escritório do Serviço Florestal, aposentando-se em 1975.

Integrou-se por completo à comunidade mairinquense, da qual sempre participou ativamente nos segmentos políticos, culturais, sociais e religiosos.
Casou-se com D. Désa Lippi e tiveram o filho Enrico Lippi Ortolani, médico veterinário e professor da Universidade de São Paulo, profissional de renome nacional e internacional.

Arganauto foi vereador em São Roque de 1951 a 1954 e de 1955 a 1959 e líder dos prefeitos Danton Castilho Cabral e Lívio Tagliassachi na Câmara Municipal.
Foi secretário da Segunda Comissão de Emancipação de Mairinque e responsável por toda a documentação apresentada, em 1958, à Assembleia Legislativa de São Paulo, quando a emancipação do então Distrito de Mairinque restou aprovada.
Eleito o primeiro prefeito de Mairinque, em 14 de outubro de 1959, ao lado do vice José Francisco dos Santos, o legendário “Zé Enfermeiro”, Arganauto conduziu praticamente sozinho o processo de implantação de toda a estrutura necessária ao funcionamento administrativo do Município.

Entre as medidas de maior destaque de seu governo, de 1959 a 1963, estão a transferência do serviço de água e esgoto da Estrada de Ferro Sorocabana para a Prefeitura, incluindo tratamento e cloração da água, aumento da adução e da capacidade de armazenamento; abertura de trinta quilômetros de estradas rurais e melhoramentos de 240 quilômetros de estradas já existentes; loteamento, aterramento e terraplanagem do “Arraial do Sapo”, posteriormente denominado Vila Sorocabana; projeto e aquisição de materiais para implantação de rede de esgoto em parte da Vila Sorocabana; ampliação da Escola Estadual do Marmeleiro; construção do Cemitério de Alumínio; reforma do “Pontilhão Velho”; aquisição de veículos e máquinas; e instalação de uma fábrica de guias e tubos de concreto.

Em 1963 foi eleito vereador para o mandato de 1964 a 1968, presidindo a Câmara Municipal de Mairinque de 1964 a 1967.

Em 1968 venceu as eleições para prefeito. Na sua segunda gestão, de 1969 a 1972, dedicou-se ao abastecimento de água; propôs ao Governo do Estado a aquisição do Horto Florestal pelo Município, conseguiu a criação do Curso Colegial na Escola Estadual “Altina Júlia de Oliveira” e a construção da Escola de Primeiro Grau da Vila Pedágio e do Ginásio de Alumínio, em que foi implantado o curso colegial.
Nessa gestão também completou o asfaltamento de ruas em Mairinque e Alumínio; incentivou a criação da Cooperativa de Eletrificação Rural Itu-Mairinque; construiu a cobertura do Ginásio de Esportes de Mairinque, instalou os Centros Comunitários de Dona Catarina e Mato Dentro; iniciou a construção do Jardim Público de Alumínio; levou energia elétrica à Vila Nova Mairinque; criou o Distrito Industrial, oferecendo incentivos à instalação de indústrias no Município e voltado à preservação do meio ambiente; idealizou a Festa do Pêssego – FEPEMA, cuja primeira edição foi realizada por seu sucessor, prefeito João Chesine.

Em 1976, elegeu-se vereador e presidiu a Câmara Municipal de 1979 e 1980. Em agosto de 1982, por motivos de saúde, renunciou ao seu mandato.

Arganauto Ortolani faleceu em 1992 e em Mairinque não há sequer um logradouro público com seu nome.

Em 2014, o empresário João Augusto P.C. MacDowell, diretor presidente da Agrostahal S/A Indústria e Comércio, propôs uma única condição para doar ao Município, sem nenhum ônus aos cofres públicos, o imóvel que há anos cedia para o funcionamento da Casa da Criança de Mairinque: o abrigo deveria ter o nome do ex-prefeito Arganauto Ortolani e assim se fez.

Desde maio último, tramita na Assembleia Legislativa de São Paulo projeto de lei de autoria da deputada Maria Lúcia Amary, que denomina Arganauto Ortolani a passarela construída na altura do Km 65,3, da Rodovia Raposo Tavares.

Embora significativas, essas homenagens ainda soam pequenas ante a importância histórica de Arganauto Ortolani para Mairinque.

Simone Judica é advogada, jornalista e colunista de O Democrata ([email protected])

Texto: Simone Judica