20 erros de português mais usados nas redes sociais

O perfil nas redes sociais é o novo cartão de visitas, com todo mundo de olho no que o outro faz no Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn. Aliás, este último, por ser focado na vida profissional, merece uma atenção especial. Os deslizes por lá podem resultar em oportunidades profissionais perdidas. Neste sentido, as derrapadas no português fazem muita gente passar vergonha. Para evitá-las, uma boa estratégia é conhecer os erros gramaticais mais comuns.

A professora de Língua Portuguesa Carol Mendonça, criadora do “Português para Desesperados” – projeto de ensino com site, vídeos e redes sociais – explica que muitos desses erros se relacionam com a linguagem da internet, com forte presença de um humor baseado em memes e uma escrita sem maiores cuidados gramaticais.

Conforme os códigos vão sendo repetidos frequentemente, muitas pessoas fixam expressões erradas na mente. A internet não tem comprometimento com a gramática, e os usuários precisam se lembrar disso. Quando restringimos o tipo de texto que lemos, limitamos nossas fontes de conhecimento. O Facebook é um lugar para ler e rir, mas não serve como única fonte de aprendizado da língua – ressalta Carol.

Para Cesar Ceneme, professor de Língua Portuguesa no Curso Poliedro, não há razão para pânico por conta disso. Ele entende a internet como um reflexo da sociedade, assim como outros fenômenos linguísticos. O educador inclusive ressalta que as redes sociais têm feito um papel interessante de comunicação com pessoas que antes não tinham o hábito de ler e escrever diariamente.

Se a escola não for substituída pela internet, não haverá problemas no aprendizado da norma culta. Preocupante mesmo é quando o corretor não consegue dar conta de tudo. Os computadores não têm raciocínio linguístico para corrigir pontuação, dificultando a estrutura das frases. Nessas horas, conhecer as regras faz a diferença – pontua Cesar.

Veja na galeria abaixo a regras que evitam os erros mais comuns nas redes sociais.

  • 1. Nada haver/nada a ver: quando um assunto não tem relação com outro, usa-se “nada a ver”. “Haver” é um verbo usado no sentido de existir e não pode ser usado para determinar a incoerência entre dois objetos. Exemplos de uso: há muitas nuvens no céu/Brócolis não tem nada a ver com pizza

    2. Há alguns anos atrás/há alguns anos: o verbo “haver”, quando indica tempo decorrido (“Faz alguns anos”), torna a frase redundante, se acompanhado do advérbio “atrás”. Por exemplo, é preciso escolher entre “Há alguns meses” ou “Alguns meses atrás”, uma vez que as sentenças não aceitam os dois termos juntos

     

    3. Há X a: o verbo “haver” é usado na terceira pessoa do singular com o sentido de existir (“Há muitos motivos para sorrir”). Além disso, pode ser usado para indicar um tempo passado (“Não visito meus tios há algumas semanas”). Já “a” é usado em todos os outros casos que não significam existir ou tempo decorrido. Exemplo: ela vai chegar daqui a pouco

     

    4. Onde X aonde: a expressão “onde”, como advérbio ou pronome, indica localização. A diferença entre “onde” e “aonde” é que a primeira é sempre sobre algo estático, ou seja, situações que não mudam de lugar, como em “Onde você nasceu?”. Enquanto isso, “aonde” indica movimento, como em “Aonde você vai?”

    5. Não usar o vocativo: o vocativo é usado para organizar a frase. O termo não tem relação sintática com as outras construções da oração, servindo para separar algo/alguém que é chamado. Separado por vírgula, o vocativo é frequentemente usado em diálogos, como em “Perdão pelo atraso, Juliana”, ao contrário de “Perdão pelo atraso Juliana”, que, sem a vírgula, perde o sentido

     

    6. Não usar verbos no infinitivo: os verbos no infinitivo terminam com a letra “r’. No entanto, como resultado da pronúncia usada para alguns desses verbos, muitos usuários retiram o “r” na escrita. Verbos como “comer”, “dormir” e “cantar” sempre têm “r”, quando no infinitivo. Exemplo: vou dormir/ela ama cantar

     

    7. Agente X a gente: “agente” é um substantivo comum para alguém que faz algo, como agente secreto ou agente de câmbio. “A gente”, entretanto, é uma locução correspondente ao pronome pessoal reto “nós”. Exemplo: a gente vai ao parque

     

    8. Mais X mas: um dos erros de português mais comuns nas redes sociais é a confusão entre “mas” e “mais”. Uma conjunção de adversidade, “mas” serve para indicar uma contraposição de ideias na frase, como “Gosto de pudim, mas não sempre”. Já “mais” é um advérbio de intensidade que funciona como o contrário de “menos”. Exemplo: dirija mais devagar

     

    9. Com certeza/concerteza: “concerteza” não existe na língua portuguesa. A grafia correta do termo é “com certeza”, que significa evidentemente ou certamente

     

    10. Bênção e abençoe/benção e abençõe: as duas palavras são bastante utilizadas em felicitações no Facebook. Por ser paroxítona terminada em “ão”, “bênção” tem acento circunflexo, seguindo a mesma regra de “ímã” e “sótão”. Apesar disso, a Academia Brasileira de Letras já reconhece “benção” como grafia alternativa. Já “abençoe” deve ser sempre escrita sem o til ou qualquer outro acento

    11. Menos/menas: a expressão “menas” não existe. Em todos os casos, mesmo quando acompanhado de substantivos femininos, o termo correto para o advérbio é “menos”

    12. Meia X meio: “meia” é uma palavra que só pode ser usada como fração, ou metade, de um substantivo feminino (“A sessão dura meia hora”) ou como substantivo comum, que se refere ao objeto de vestir os pés (“Estava frio, então coloquei a meia”). Quando a intenção é indicar algo brando ou “mais ou menos”, a expressão correta é “meio”. Exemplo: Eu estava meio enjoada

    13. Derrepente/de repente: “derrepente” não existe no vocabulário da língua portuguesa. O termo correto para indicar algo súbito, ou que ocorre subitamente, é “de repente”

    14. A fim X afim: quando no sentido de “para” ou “para que”, o termo deve ser escrito separadamente (“Vou estudar, a fim de conseguir um emprego melhor” ou “A fim de conseguir uma vaga na faculdade, vou estudar”). Para indicar desejo ou vontade de algo, a grafia correta também é separada (“Estou a fim de comer pizza”). Já quando permite plural ou tem sentido de algo relacionado ou alguém próximo, a palavra usada é “afim”. Exemplo: Paula e afins vão ao aniversário

    15. Para mim X para eu: quando funciona como sujeito da frase, “eu” determina a conjugação do verbo (“Tem ainda uma lista de tarefas para eu cumprir”), afinal, “eu” é o pronome reto e agente da oração (“Há sementes para eu plantar”). No entanto, quando o sentido é de pronome oblíquo, usa-se “mim”. Exemplo: cuide disso para mim.

    16. Mal X mau: grosso modo, “mal” é o contrário de “bem”, enquanto “bom” é o contrário de “mau”. O termo “mal” pode ser usado como advérbio (“O plano está mal feito”), substantivo (“O mal sempre é vencido”) ou conjunção temporal (“Você mal chegou e já pretende partir”). Entretanto, “mau” é sempre um adjetivo (“Há muitos homens maus pelo mundo”)

    17. Encima X em cima: para indicar que algo está acima de algo, o termo usado é a locução adverbial “em cima”, que significa “por cima” (“O copo está em cima da mesa”). Já “encima” é a conjugação do verbo “encimar” na terceira pessoa do singular, no sentido de estar localizado acima (“A bandeira encimava o monte”)

    18. Perca X perda: perda é o substantivo equivalente ao verbo “perder” (“A saída dele foi uma grande perda para o time”). Já “perca” é uma das variações do verbo “perder” (“Caso o time perca, uma reforma será feita”).

    19. Tem X têm: “tem” é a forma do verbo “ter” na terceira pessoa do singular (“Ela tem planos para o futuro”). Enquanto isso, a variação com acento circunflexo (“têm”) sinaliza a terceira pessoa do plural (“Elas têm planos para o futuro”)

    20. Houveram/houve: na língua portuguesa, o plural “houveram” NÃO existe. Isso porque o verbo “houve”, no sentido de existir ou de tempo decorrido, é impessoal, ou seja, não tem sujeito nem concorda com o plural de outras palavras (“ Já houve dias difíceis no país”)