Wilma Baroni Boccato: festeira de São Roque há 60 anos – O Democrata

Em 1965, Wilma Baroni Boccato e Rubens José Boccato foram festeiros de São Roque, ao lado do casal Olavo Capuzzo e Vera Batista Capuzzo. Apesar do trabalho conjunto, havia uma divisão formal: Wilma e Rubens (Festeiros do Divino Espírito Santo) e Olavo e Vera (São Roque).

Em 1969, a procissão do Divino, que acontecia em 15 de agosto, deixou de aproveitar a estrutura montada para as comemorações do padroeiro — como também ocorria em outras cidades — e foi transferida para o Domingo de Pentecostes, 50 dias após a Páscoa. Na sequência, por alguns anos, os casais foram divididos entre festeiros de São Roque e de Nossa Senhora da Assunção. Em 1973, houve a unificação das funções.

“Os festeiros do Divino saíam no quadrado nos dias 15 e 16 de agosto. Nesses dias, também havia a imagem de Nossa Senhora da Assunção. Já os festeiros de São Roque ficavam em destaque apenas no dia 16. Em nossa casa, recebemos a coroa e o cetro [bastão que simboliza o poder] do Divino e houve a distribuição das roscas. A comunidade doava a farinha de trigo e as padarias faziam as roscas, sem uma padronização. Cada padeiro fazia de um tamanho diferente”, lembra Dona Wilma, aos 92 anos. O marido Rubens faleceu em 28 de maio de 2019, aos 90 anos.

Se passaram 60 anos, mas as recordações permanecem muito vivas na memória desta senhora, que fala com desenvoltura. “A escolha dos festeiros era feita por sorteio ao término da procissão de São Roque. Eu sabia que nosso nome estava na lista havia alguns anos, mas mesmo assim foi uma surpresa. Surpresa! Estava trabalhando na Barraca dos Cavalinhos.” Ela se refere à barraca de São Jorge e a corrida de cavalinhos é um brinquedo criado por Oswaldo Perino.

O Arquivo Vivo do jornal O Democrata resgata que, no dia 15 de agosto de 1965, o tempo estava “ameaçador”: Choveu muito e teve até uma goteira em cima da mesa coberta por cetim vermelho, onde Dona Amazília Ribeiro Lopes montou um altar. Às 10 horas, na hora da missa, parou de chover. Foi uma benção”, comenta.

A novena de São Roque começou no dia 7 de agosto (sábado), com Pedro José Baroni (capitão do mastro) e Adelina de Castro Boccato (alferes) conduzindo a bandeira do Divino da Igreja de São Benedito até a Igreja Matriz. No dia seguinte, houve a Entrada dos Carros de Lenha e a procissão dos Cavaleiros de São Jorge (às 16h). A programação terminou no dia 17 de agosto com a procissão de São Cristóvão. Nesse ano, foi lançada a pedra fundamental da capela do padroeiro dos motoristas no bairro Gabriel Piza, em terreno doado pelo casal José dos Santos Patto e Rosa.

Mais uma vez, a primeira-dama Leonor Mendes de Barros, esposa do governador Adhemar de Barros, acompanhou a procissão do padroeiro. “Meu sogro, Rino Boccato, era o prefeito de São Roque e tinha uma ligação muito forte com o governador. Em várias oportunidades, Dona Leonor veio almoçar em casa”. Ocasiões em Dona Wilma preparava o famoso “frango que dormiu no leite”.


“Uma de nossas contribuições foi a compra de um resplendor com os dons do Divino. Uma peça com detalhes em ouro que veio da Itália e que foi comprada na loja de artigos religiosos Aldo Bove, na Praça da Sé. Está na Matriz até hoje, sendo usada na Novena do Divino, mas voltou a sair na procissão somente há dois anos, por decisão da festeiros Cibele Cerrone e Pietro”.

A peça traz a pomba, símbolo do Divino, com raios de luz e nuvens que remetem à paz e à pureza, além dos sete dons do Espírito Santo: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor a Deus. Com a arrecadação da festa também foram compradas as pastilhas valor de 12 mil cruzeiros [dinheiro da época] que foram colocadas na fachada da Igreja da Matriz.

Outra lembrança marcante é o concurso de “Bonecas Vivas”, que elegeu rainha a menina Geisa Caniato, seguida por Izilda Aparecida Ghissardi (1ª boneca), Cleonice Pina (2ª boneca), Ana Fátima Fonseca (3ª boneca) e Conceição Aparecida Martins (4ª boneca). Em 2000, Wilma reviveu a emoção de organizar as Festas de Agosto. Para marcar o novo milênio, foi montada uma comissão com todos os ex-festeiros. “Os mais antigos saíram na frente. Rubens e eu fomos um dos primeiros, atrás do Guilherme Pontes e da Ruth [festeiro de 1958].”

Vander Luiz

Jornal O Democrata São Roque

Fundado em 1º de Maio de 1917

odemocrata@odemocrata.com.br
Rua Marechal Deodoro da Fonseca, 04
Centro - São Roque - SP
CEP 18130-070
Copyright 2025 - O Democrata - Todos os direitos reservados | Política de Privacidade
Os textos são produzidos com modelo de linguagem treinado por OpenAI e edição de Rodrigo Boccato.