O Brasil registrou 4.515 denúncias de trabalho análogo à escravidão em 2025, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). O número representa um aumento de 14% em relação a 2024, quando foram contabilizados 3.959 casos, configurando o maior volume já registrado.
Desde 2021, as denúncias vêm em crescimento contínuo: foram 1.918 em 2021, 2.084 em 2022, 3.430 em 2023 e 3.959 em 2024. O mês mais crítico de 2025 foi janeiro, com 477 denúncias, o maior total mensal da série.
O que caracteriza trabalho escravo
A legislação brasileira define trabalho escravo contemporâneo como situações que envolvem:
- Jornadas exaustivas;
- Condições degradantes;
- Servidão por dívida;
- Restrição de liberdade, como retenção de documentos ou ameaças.
Esses elementos costumam ocorrer de forma combinada e são mais frequentes em setores como agricultura, construção civil e trabalho doméstico.
Setores com mais resgates
Em 2024, os setores com maior número de trabalhadores resgatados foram:
- Construção de edifícios: 293 trabalhadores;
- Cultivo de café: 214;
- Cultivo de cebola: 194;
- Serviços de preparação de terreno: 120;
- Horticultura: 84.
Cerca de 30% dos resgates ocorreram em áreas urbanas, segundo os dados oficiais.
Resgates e fiscalização
Em 2024, 2.186 pessoas foram resgatadas de condições análogas à escravidão. Desde 1995, quando o Estado brasileiro reconheceu oficialmente o problema, aproximadamente 65,6 mil trabalhadores já foram resgatados e mais de 8,4 mil ações fiscais foram realizadas.
Como denunciar
Casos podem ser denunciados pelo Disque 100, serviço do MDHC disponível 24 horas por dia, ou pela plataforma online Sistema Ipê, que permite denúncias anônimas. Informações como local, tipo de atividade e condições de trabalho ajudam a agilizar as apurações.
Com informações do MTE.

