A nossa submissão às condições existentes

O brasileiro não tem mais como mensurar a quantidade de fatos estranhos e inexplicáveis que já ocorreram e continuam a acontecer no país. As incoerências existentes em todas as instâncias governamentais põem em dúvidas a lisura dos que comandam o poder, dada as constantes atitudes duvidosas de seus integrantes.

O Brasil é um país complicado aos olhos internacionais. Aqui é o único lugar em que um condenado e acusado de diversos crimes pode concorrer às eleições, não importando o que dizem os juristas em sua defesa, pois sabemos que nossas leis foram em sua maioria descaracterizadas para estarem a serviço de poderosos. Pessoas que devido à sua profissão, atenderam a criminosos perigosos e no alto comando de poderosas facções do mundo do crime, hoje estão em ministérios – e mesmo que não haja implicação direta nessas condições, a situação é no mínimo desconfortante para a população.

As prisões comuns dispensam qualquer comentário, pois todos sabem o estado deplorável em que se encontram, bem como no que se transformam a maioria daqueles que por elas tenham passado. De correção sociológica nada possuem, muito pelo contrário, uma vez que seus internos são submetidos à influência direta dos grupos organizados que existem em seus interiores, que aliciam à força os que fazem parte dessa população, independendo da educação que possam possuir. Quanto aos edifícios que acolhem presos políticos ou de alta periculosidade, os erros administrativos continuam a existir, embora de forma diferente, como os casos divulgados de celas que abrigam pessoas importantes, que possuem todas as regalias que o preso teria em sua casa, tais como: televisores, ar condicionado e alimentação diferenciada.

A população foi desarmada, com o argumento de que isso diminuiria a violência, o que é uma mentira, uma vez que o cidadão de bem, impossibilitado de ter uma arma em sua casa, fica à mercê dos criminosos, que cometem seus atos na certeza de que não encontrarão resistências. Qual é a verdadeira intenção em impedir que as pessoas possam se defender? Menor índice de criminalidade? Não é verdade! Em quinze anos morreram de forma violenta o equivalente à população de uma Lisboa e meia, índice esse divulgado na imprensa nessa semana, mostrando que esse número ultrapassa a quantidade de mortos nas guerras atuais. Que segurança é essa que tanto apregoam?

Agora o governo do Rio de Janeiro vai reduzir o orçamento da Polícia Militar em cerca de 500 milhões de reais. Como pode isso, diante de uma situação calamitosa em que se encontra o estado, que já possui carência em sua força policial dada à falta de recursos?

Precisamos ficar atentos, pois as mãos que agora gesticulam por lá, podem também se virarem para cá.