Aqui embaixo a lei é diferente, mas ainda é igual pra todos

Nesta semana um deputado federal foi parar na cadeia a pedido de um ministro da mais alta instância do judiciário brasileiro. Sim, tudo com letra minúscula mesmo. Primeiro, porque é a norma padrão da língua e, segundo, porque esse pessoal está achando que faz parte da corte do rei bozó. Não é possível que o funcionalismo público não consiga enxergar o que realmente é: servidor estatal.

Não importa se foi eleito com esmagadora votação ou se entrou na rebarba do quociente eleitoral. Também pouco interessa se passou num concorrido concurso público para ter salário estratosférico ou naquele processo seletivo municipal mambembe cheio de vícios apontados pela sociedade. Menos ainda importa se recebeu a indicação do executivo-chefe de plantão ou a benção presidencial que te faz sentar no rol do champanhe e caviar. Funcionário público é servidor. Tem que aprender a servir e não servir-se.

O maluco começa a falar em AI-5 e vai pra cadeia. Outro jornalista, cheio de ideias e de teorias da conspiração cai suspeitosamente, sob custódia do Estado, está praticamente aleijado e ninguém fala nada. Parece até que é proibido criticar nesse circo-teatro que esse povo de paletó inventa diariamente.

Saber conviver com as críticas faz parte da vida adulta. Nesta edição, retomamos “A boca do povo” uma tradicional coluna deste semanário que abre espaço para críticas populares que devem ser ouvidas, levadas a sério e resolvidas, na medida do possível. Pedir ditadura, pode. Só não vai ser atendido. Do alto de 103 anos, pode-se dizer que vale a pena ser democrata, minúsculo mesmo.