Até quando vai esse circo?

O circo chegou na cidade! Nesse tempo de pandemia, a única coisa em que consigo pensar é em quanto os artistas desse ramo devem estar sofrendo. A arte circense já não traz rios de dinheiro em tempos normais, mas sem os espetáculos há mais de um ano a situação deve estar muito mais crítica.

Porém, a receptividade na cidade de São Roque não foi das melhores. Ao ver os caminhões coloridos e pintados com o nome da caravana, logo surgiram as perguntas sobre a legalidade e a permissão de funcionamento da atividade circense. Justo. Pois com tantas restrições e impedimentos às atividades econômicas em função do problema de saúde pública, fica mesmo a dúvida em aberto.

Acontece que, antes da chegada dos artistas, já estava instalada aqui a política da palhaçada sem graça. E bastaram aparecer as primeiras fotos na internet para que alguns vereadores subissem no picadeiro e começassem a fazer críticas à prefeitura como se o respeitável público já estivesse todo aglomerado debaixo da lona.

Certos vereadores não se conformaram ainda com a perda de poder. Como aquele cargo de confiança amigo, que fazia um favorzinho especial quando recebia um telefonema, ou com um jeitinho ali na hora de pagar uma muleta ou um remédio sem ter que prestar conta do dinheiro público desviado por uma entidade disfarçada de organização social, mas que era subsidiada exclusivamente pelo dinheiro dos nossos impostos.

Pelo menos, desta vez usaram o circo e não precisaram usar a pandemia pra fazer palanque, especialidade do momento. Enquanto uns lutam por UTI e oxigênio, outros querem apenas atacar e agredir qualquer vírgula mal colocada em uma frase. Nesta fase difícil, em que somente a união amenizaria a dor, alguns fazem questão de ver o sofrimento porque isso, teoricamente, dá voto. Vergonhoso.

Em tempo, o circo alugou um espaço na cidade para manter seu equipamento e, caso tenha interesse em abrir para espetáculos, deve seguir os trâmites legais e ter autorização da prefeitura e do Corpo de Bombeiros. Nenhum pedido de alvará de funcionamento foi feito na cidade. É difícil acreditar em tanto alarde.

Rodrigo Boccato