Conheça a Nanotecnologia e a suas incríveis inovações na sociedade


Na quinta-feira, 18, teve início a 1ª Mostra de Ciência e Tecnologia para alunos de São Roque com a participação da Unidade Móvel de Nanotecnologia do Senai e Museu itinerante Catavento. O evento, realizado na Brasital, Espaço Darcy Penteado, tem a participação 420 alunos do ensino fundamental e ensino médio da rede pública e particular, além de alunos do ensino superior do IFSP-Campus São Roque, ETEC, FATEC e Sesi, bem como discentes do Senai Alumínio e Mairinque. Nesta sexta-feira, 19, o horário de visitação será das 9h às 15h30 horas e no sábado, 20, das 9h às 13h.

As unidades móveis foram usadas como salas de aula com design inovador e equipadas com o que há de mais novo em microscópios eletrônicos e equipamentos de alta tecnologia. Nelas, o visitante pode assistir a demonstrações e experiências de aplicações práticas de nanociência e nanotecnologia.

Segundo o instrutor de metalomecânica do Senai, Antônio Carlos Basso, a nanotecnologia é o futuro da sociedade e os jovens precisam começar a conhecerem.

“Há diferentes definições para a nanotecnologia, mas há consenso ao se referir à ciência e à tecnologia de manipulação de materiais na escala nanométrica, agregando intencionalmente novas propriedades ao material (em função da redução de seu tamanho)”. Ele salienta que as novas propriedades ou benefícios que o material adquire podem ser de ordem física, química ou biológica e são essenciais para caracterizar o aspecto nanotecnológico.

A nanotecnologia consiste nos estudos e na manipulação da matéria em escala atômica e molecular. O nome dado a essa nova tecnologia deriva do termo nanômetro, que corresponde a um bilionésimo do metro (0,000000001 m), e foi definido pela Universidade Científica de Tóquio, em 1974.

O avanço da nanotecnologia ocorreu a partir do desenvolvimento do Microscópio eletrônico de varredura (MEV), em 1981, na Suíça. Esse microscópio tem uma capacidade de aumento muito maior que os microscópios ópticos. Ele é constituído por uma agulha extremamente fina, formada por poucos átomos, que executa a varredura de uma superfície a uma distância de um nanômetro. Durante essa varredura, os elétrons tunelam da agulha para a superfície, criando uma corrente de tunelamento, que é utilizada por um computador para criar uma imagem extremamente ampliada dessa superfície, tornando visíveis os seus átomos.
Ao tornar possível a visualização do relevo atômico de uma superfície, esse microscópio também possibilitou a criação de uma série de instrumentos para visualizar e manipular materiais em escala atômica.

Qual a importância dos estudos da nanotecnologia?

A matéria em escala nanométrica tem propriedades diferentes dos materiais macroscópicos. Nessa escala, já não são válidos os princípios da Física Clássica, e sim os da Física Moderna, que considera a dualidade onda-partícula e a Física Quântica. Pequenas mudanças na estrutura da matéria podem acarretar mudanças significativas em suas características físicas e químicas.
Atualmente, a nanotecnologia está presente em várias áreas de pesquisa, como Física, Química, Eletrônica, Medicina, Ciência da Computação, Biologia e Engenharia, e tem permitido o desenvolvimento de novos materiais e técnicas muito mais eficientes que os já conhecidos. Veja alguns exemplos:

Indústria de cosméticos: As nanopartículas podem ser usadas para diferentes finalidades, como o preenchimento de rugas, maquiagens, protetor solar etc.

Informática: nos processadores eletrônicos, que podem ter um tamanho de apenas 45nm. Esses dispositivos possuem tecnologia avançada e podem trabalhar a altíssimas velocidades.

Sistemas de transporte, armazenamento e liberação de drogas: essa é provavelmente uma das aplicações mais inovadoras devido ao fato de mudar completamente a forma de tratamento de praticamente todas as doenças existentes. Adequando um nanossistema para reagir apenas em contato com células doentes ou agentes patógenos é possível combater a doença de maneira menos agressiva e mais eficiente, pois o medicamento seria liberado apenas em células doentes minimizando os efeitos colaterais.

Para o professor Antônio a nanotecnologia pode ajudar nos diagnósticos de doença. “Não é apenas no cérebro que as nanopartículas podem ser utilizadas para auxiliar no diagnóstico de doenças. A nanotecnologia tem o potencial de revolucionar a forma como recolher dados médicos de maneira geral. Médicos e cientistas são capazes de distribuir aparelhos de diagnóstico nano-estruturados por todo o corpo, a fim de detectar mudanças químicas no local, possibilitando o acompanhamento em tempo real do estado de saúde dos pacientes. Técnicas de diagnóstico baseados em nanotecnologia também oferecem várias outras vantagens, incluindo o diagnóstico completo e tratamento com apenas uma visita ao médico, ao invés de precisar várias visitas de acompanhamento. Outro benefício é a detecção precisa e antecipada de doenças, que permite aos médicos potencialmente frear esses distúrbios antes que possam causar mais danos aos pacientes”, disse o professor.

Outra vantagem da nanotecnologia na medicina é a possibilidade do tratamento de doenças graves e degenerativas, como o câncer e a AIDS, por exemplo. Acredita-se que com a nanomedicina, as células cancerígenas poderiam ser diretamente atacadas por nanorobôs, evitando todos os efeitos negativos dos métodos de tratamento convencionais, como a quimioterapia e radioterapia, por exemplo.