Crise no Facebook ameaça destruir rede social

 

A crise de confiança pública atravessada pelo Facebook “vai destruir a empresa”, afirmou o antigo mentor do empresário Mark Zuckerberg, Roger McNamee, à rede de TV norte-americana CNN.

A fala de McNamee leva em conta a notícia de que informações de mais de 50 milhões usuários da rede social foram vazadas sem o consentimento deles pela empresa americana Cambridge Analytica para fazer propaganda política.

De acordo com McNamee, a empresa “sequer deu o primeiro passo de admitir que há um problema”. “Se eles não fizerem algo muito em breve, as pessoas vão perceber que não podem mais usar o Facebook”, afirma.

 A posição de McNamee se junta a de um grupo de investidores, técnicos de tecnologia e executivos que questionam o poder que as plataformas de tecnologia exercem e seu impacto na sociedade.

O escândalo está prejudicando mais do que a reputação do Facebook. No mercado financeiro, a rede social perdeu R$ 165 bilhões (US$ 50 bilhões) em valor de mercado somente após o vazamento da informação.

Segundo a CNN, executivos do Facebook também estão frustrados com o fato de Zuckerberg e COO da empresa, Sheryl Sandberg, terem permanecido em silêncio desde que a última controvérsia foi exposta.

Anunciantes ameaçam abandonar Facebook

Um grupo de anunciantes britânicos está ameaçando abandonar o Facebook após o escândalo envolvendo o vazamento de dados de mais de 50 milhões de usuários usados pela empresa Cambridge Analytica para influenciar as eleições dos Estados Unidos, a qual elegeu o presidente Donald Trump.

A informação foi revelada nesta quinta-feira (22) depois de uma reunião da ISBA, órgão que representa as principais agências de publicidade do Reino Unido, de acordo com a rede “BBC”.

“Não acho que eles estejam blefando. Eles vão exercer uma pressão real”, afirmou Davis Kershaw, diretor da M&C Saatchi.

Kershaw, chefe de uma das agências de publicidade mais reconhecidas do mundo, disse que acha “que os clientes chegaram a um nível, com razão, onde o suficiente é suficiente”.

Além disso, ele ressaltou que os anunciantes que estão pressionando a companhia de Mark Zuckerberg ajudaria a promover mudanças no negócio.

Mais de 3 mil marcas que compõe a ISBA estaria exigindo respostas ao Facebook sobre a violação dos dados.

Nesta quarta-feira (21), Zuckerberg falou pela primeira vez sobre o caso e pediu desculpas pelo escândalo. Em entrevista à rede norte-americana CNN, ele afirmou que está disposto a testemunhar no Congresso “se for a coisa certa a se fazer” e lamentou o caso. “O que tentamos fazer é enviar a pessoa do Facebook que terá o maior conhecimento. Se sou eu, então fico satisfeito em ir”, disse.

Em um texto enorme publicado em sua conta na rede social, Zuckerberg também reconheceu que a empresa cometeu um erro ao permitir que os dados dos usuários fossem compartilhados e anunciou que a companhia vai aprimorar suas ferramentas de segurança e auditar os aplicativos parceiros.

Desde o fim de semana, o Facebook está investigando o vazamento de informações de mais de 50 milhões de usuários, que foram usados pela empresa de análise de dados britânica Cambridge Analytica, contratada pela campanha de Trump nas eleições de 2016, na qual o magnata saiu vitorioso.