O movimento de criação do Ginásio de São Roque

No ano de 1946, o clima social da cidade de São Roque apresentava-se em uma natural tranquilidade, porém mesclado com a incerteza sobre o futuro da política nacional, que se abria em um sistema governamental mais democrático, adicionado com a esperança de melhores condições de vida, com o término da Segunda Guerra Mundial.

Nesta década, a cidade passava por alterações urbanas, entre estas, a estruturação das instituições de ensino. Até aquele momento, a comunidade dispunha de algumas escolas isoladas na zona rural e o Grupo Escolar Dr. Bernardino de Campos, localizado no centro da cidade de São Roque. Esta realidade, apresentava-se como reflexo da condição nacional limitada, porém em transformação, fortalecida pela ideia da educação como um meio para a melhoria de vida.

As alternativas para a continuação dos estudos, posteriores ao grupo escolar, eram custosas, somente possível para aqueles que dispunham de recursos financeiro, com o envio dos filhos para estudar nas cidades de São Paulo ou Sorocaba, via ferrovia Sorocabana. As alternativas de emprego para os jovens limitavam-se apenas aos pequenos comércios e serviços nas propriedades rurais, consideradas, no entanto, como atividades que não favoreciam a perspectiva de um novo mundo que se ampliava.

A crescente insatisfação principalmente com o ensino, motivou grupos sociais locais na busca de soluções de melhoria de vida para seus filhos, o que contribuiria fortemente pela causa de ter um Ginásio Estadual na cidade de São Roque. Entre tantas pessoas, e famílias locais, uma pessoa merece ser mencionada como representante deste movimento: o senhor José Fernandes da Silva, conhecido como “Nenê Mecânico”, dono de uma oficina de esquina perto do Posto Esso (ainda existente), da família Guzzo, na rua São Paulo. Ele tinha uma família grande, e a esposa professora, que instigaram sua conduta pela construção de uma escola que oferecesse aos filhos a continuidade dos estudos secundários na cidade.

A luta de Nenê Mecânico contribuiu para a formação da Comissão Pró-Ginásio, que buscou arrecadações financeiras e reivindicações junto ao Governo do Estado de São Paulo. A história desta escola, transformar-se-ia em julho de 1946, com a adesão de Horácio Manley Lane, vinicultor na chamada “Quinta da Granada”. Horácio pertencia a uma família proeminente paulistana, e neto de um dos fundadores do Colégio Mackenzie. Ele contribuiria com o ato mais representativo desta escola, com a doação de uma propriedade de 11 mil hectares, conhecida por Chácara Borba, atualmente o local da sede da Escola Estadual Horácio Manley Lane, na Avenida João Pessoa nº 556. Seus atos seriam reconhecidos socialmente, com o título de patrono da escola, designada em 01 de julho de 1955 em Decreto nº. 24.693/55, como “Colégio Estadual Horácio Manley Lane”.

Já a criação do ginásio ocorreria em 17 de janeiro de 1947, pelo governador recém eleito Adhemar de Barros, em Decreto lei nº 16.741/47. No entanto, o futuro desta escola passaria por momentos de indefinição, ao ser instalada provisoriamente no mesmo prédio do Grupo escolar Dr. Bernardino de Campos, com a promessa de ser uma ação temporária, porém prorrogada por mais de dez anos, em decorrência das diversas ações fracassadas das políticas populistas partidárias. Somente no ano de 1958, o indefinido futuro da realidade do Ginásio de São Roque, seria transformado com a chegada da diretora Antonieta de Araújo Cunha, que transformaria esta escola em uma instituição de referência. As próximas publicações evidenciarão este percurso histórico com a participação de “Dona Antonieta”.

Série completa:

Artigo 2: Dona Antonieta e a transformação do Ginásio de São Roque

Artigo 3: A gestão de Dona Antonieta

Artigo 4: O legado de Dona Antonieta

O conjunto de publicações compõem um quadro resumido da tese de Doutorado em Educação, da Universidade de Sorocaba, da professora Tarina Unzer Macedo Lenk, do quadro de docentes do Instituto Federal de São Paulo, campus São Roque.