Ricky Martin lança novo álbum “Pause” e convida fãs a refletirem sobre o atual cenário mundial | Cultura

Ricky Martin, abalado com a pandemia do novo coronavírus, lançou nesta sexta-feira (29), de surpresa, seu 13º disco (desconsideradas as coletâneas de hits) intitulado “Pause” -EP que terá ainda uma segunda parte, “Play”, sem previsão de divulgação.

Suas seis novas músicas trazem um tom diferente do que os fãs estão acostumados a ouvir. Mais tranquilas, e por vezes melancólicas, as canções são baladas que mesclam o som dos hits de Martin da década passada com as batidas de reggaeton de sua origem porto-riquenha.

“Preciso de uma tranquilidade que, na minha cabeça, não tem. Para mim, a música é uma terapia, então quando escrevo e canto tento fazer uma autopsicanálise. Mas minha cabeça não para”, conta Martin em entrevista coletiva, via videoconferência, se esforçando para se comunicar o tempo todo em português.

“Inclusive, o lançamento do disco é de surpresa porque a vida, o mundo, o cosmos, Deus, dizem: ‘Relaxa. Não há controle’. A pandemia foi uma surpresa”, explica o cantor, que diz ter sorte por trabalhar com música neste momento e poder lançar um disco. “Algo bom tem que sair disso aqui.”

“Simple”, música que abre o EP, mostra a vontade de Martin de valorizar as coisas mais simples. Por ter sido criada há cerca de sete meses, o cantor diz que ela tem ares premonitórios. “Se eu escrevesse essa canção hoje, provavelmente não teria o vocabulário perfeito para descrever o que está acontecendo”, diz.
“É muita informação. As palavras de ‘Simple’ viram para nós um momento de calma. Não queríamos soar como uma maldição, muito menos soar que somos pregacionistas. Queremos simplesmente compartilhar um pensamento puro e transparente”, acrescenta.

A simplicidade se traduz também na capa do disco, que traz o cantor sem camisa e de costas, virado para uma parede de concreto. “Porque não importa o que você tenha, nada vale, não temos nada”, diz ele, ao revelar que a foto foi tirada por seu marido, o sírio Jwan Yosef, 35.
A imagem também remete à meditação e à loucura que Martin sentiu nos primeiros 15 dias de isolamento, quando relatou ter sofrido muita ansiedade.

“Comecei a ligar para amigos para saber se estavam bem e para contar que também estava nervoso”, diz.

Para lidar com o momento, ele escolheu se afastar da televisão e das notícias, e se voltar à família.

“Eu me vi muitas vezes frente à parede […] E agora quero que todo mundo tire essa foto e coloque nas redes sociais. É um chamado à reflexão.”

Duas das canções do novo EP, “Cántalo” e “Tiburones”, já haviam sido liberadas anteriormente. A primeira, que é a mais animada das seis, une diferentes gerações de vozes por causa da parceria com Residente e Bad Bunny. Já a segunda, lançada há pouco mais de um mês, traz o lado politizado de Martin, que já havia afirmado que seu próximo álbum seria inspirado nos últimos acontecimentos políticos de Porto Rico.

O artista participou ativamente de protestos em seu país, em julho de 2019, para pedir a renúncia do governador de Porto Rico, Ricardo Rosselló, após o escândalo “chatgate”, que revelou conversas trocadas entre Rosselló e um grupo de auxiliares pelo aplicativo Telegram. O governador faz comentários ofensivos contra políticos e celebridades da ilha -incluindo Martin, em uma das mensagens que dizia: “Ricky Martin é tão machista que dorme com homens, porque as mulheres não o excitam”.

COVID-19

No início da pandemia do novo coronavírus na América, em março, Ricky Martin pediu aos seus fãs que ficassem em casa, seguindo as mensagens de outros artistas sobre as medidas de proteção. “A única coisa que podemos fazer no dia de hoje é tomar essa decisão responsável de ficarmos em casa”, disse Martin, em sua conta de Instagram, na qual contou que teve que adiar uma turnê no México para prevenir a propagação do vírus. “Vemo-nos em breve, amo muito vocês, bênçãos e vamos em frente que vamos ficar bem”, acrescentou ele com as hashtags #YoMeQuedoEnCasa, #CoronaVírus, #StayHome.

Nos últimos dias, ele também usou as redes para desabafar sobre como ele se sentiu depressivo e sobrecarregado no início do isolamento social. Ele afirma que passou por negação, raiva, tristeza, aceitação e depois negação de novo. Martin disse que os momentos mais críticos foram nas duas primeiras semanas de confinamento, quando viveu uma “montanha-russa de emoções” e chegou a se sentir paralisado, apesar de tentar se mostrar forte diante da família.

Ele destacou, no entanto, que essa sensação mudou e hoje se sente muito melhor. Seu marido o ajudou a ver a pandemia e a quarentena de outra forma.

Segundo ele, esse foi um jeito de a natureza mostrar que a humanidade estava seguindo um caminho ruim e que estava na hora de focarmos em nós.

Jornal O Democrata São Roque

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