Acervo da Fundação Bunge preserva rica memória sobre o funcionamento dos primeiros moinhos do Brasil | Destaques

Até o final deste ano, a produção de trigo no Brasil deve atingir um recorde de 8,6 milhões de toneladas, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O cereal é considerado ingrediente fundamental para a produção de boa parte dos alimentos básicos, feitos a partir da farinha, como bolos, massas e o pão, além da cerveja. E neste 10 de novembro é o dia de celebrar esse item tão importante e presente em vários alimentos que consumimos: o Dia do Trigo.

O Centro de Memória Bunge possui um dos acervos mais completos de memória empresarial do Brasil, com uma série de registros sobre a história deste cereal e dos primeiros moinhos do País. Isso porque a Bunge, uma das maiores empresas de alimentos e agronegócio do país atualmente, instalou seu primeiro moinho na cidade de Santos (SP) em 1905. Posteriormente, adquiriu em 1914 outra instalação que se tornaria importante na história da moagem brasileira, o Moinho Fluminense, no Rio de Janeiro, tombado em 1986 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. As atividades foram encerradas recentemente por lá, em 2016.

“Vale relembrar que, durante décadas, o Moinho Fluminense foi palco de momentos históricos do País, como a eclosão da Revolta Armada de 1893, que levou Rui Barbosa – primeiro Ministro da Fazenda da era Republicana – a buscar refúgio dentro do Moinho Fluminense, com ajuda do seu amigo Carlos Gianelli, então proprietário do local. Nosso acervo mantém registros riquíssimos desse local, tão importante para a história do Brasil”, destaca Claudia Buzzette Calais, diretora-executiva da Fundação Bunge.

Desde então a produção do trigo, assim como de outros grãos, se intensificou. Atenta ao cenário, a Bunge passou a exaltar a produção nacional do trigo em campanhas pelas cinco regionais federativas. Desta forma, a Bunge tornou-se não só um ícone relacionado à difusão do grão no país, como também para a cultura do consumo de trigo e pão no Brasil.

“Entre os materiais que se destacam no nosso acervo estão um vídeo institucional (de 1987, produzido por Jean Manzon – o fotógrafo francês radicado no Brasil conhecido por inovar o fotojornalismo brasileiro) sobre a produção no Moinho Fluminense. A preservação de vídeos e imagens como estes é essencial para que possamos observar os avanços e valorizar grandes feitos que no permitiram chegar ao nível de industrialização que alcançamos hoje”, finaliza Claudia.

Curiosidades sobre a história do trigo no Brasil:

– O trigo chegou ao Brasil pelas mãos de Martim Afonso de Sousa, que aportou no litoral paulista em 22 de janeiro de 1532, onde fundou a Vila de São Vicente, a primeira cidade brasileira. Na sua esquadra de cinco embarcações, o colonizador trouxe matriz de frutas, hortaliças e cereais – entre eles, o trigo.

– Ao contrário do clima temperado europeu, de estações do ano bem distintas, o calor constante do trópico fazia o trigo crescer, dar flores e murchar sem deixar grãos. Mal havia “nascido”, o Brasil precisava importar trigo, necessidade que se mantém até hoje: o País jamais atingiu a autossuficiência na produção de trigo, nem mesmo em 1987, ano de safra recorde de mais de 6 milhões de toneladas.

– A participação estrangeira nos primeiros moinhos do País, como foi o caso do Moinho Santista contribuiu para a modernização da indústria moageira nacional – no processo, ajudando a finalmente disseminar o trigo na mesa do brasileiro, 400 anos após o descobrimento.

– Em 1987, o Brasil alcançaria sua safra recorde: 6.126.800 toneladas de trigo produzidas (mais de 80% das quais, oriundas do Paraná e do Rio Grande do Sul). Um número ainda insuficiente em termos de mercado, mas imenso para um país que, menos de um século antes, nem mesmo tinha o costume de comer pão.

Sobre o Centro de Memória

O Centro de Memória Bunge foi criado em 1994 e traz preservada e acessível ao grande público a história de mais de 100 anos da Bunge no Brasil, na forma de mais de 1,5 milhão de documentos cartográficos, iconográficos, filmográficos e textuais, entre outros. Um patrimônio que narra não apenas a trajetória da Bunge no País, como a evolução dos valores, costumes e modos de organização da própria sociedade brasileira.

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