Em busca da seriedade

 

“O Brasil não é um país sério”. Essa histórica frase, independente de quem a tenha proferido, uma vez que há controvérsias sobre sua origem, tem sido uma mácula na imagem do nosso povo desde o século passado. O que mais incomoda a todos que possuem um determinado brio, e senso de patriotismo, é saber que esse infeliz pensamento possui um grande fundo de verdade, e, para constatar sua veracidade, basta olharmos em volta e observarmos as ações que ocorrem ao nosso redor, vindas do povo, das autoridades, do governo e dos políticos.

“Nos últimos tempos, marcados pelo espetacular desempenho da Operação Lava Jato, o brasileiro se sentiu com a “alma lavada”, pois pode presenciar a prisão e condenação de personagens poderosos e tidos por “intocáveis”. Nesse rol, estão nomes de famosos empresários, de políticos sagazes que sempre se esquivaram das garras da lei, e até mesmo de autoridades, como o caso do juiz federal Flávio Roberto de Souza, que foi flagrado dirigindo um carro de Eike Batista. Ele perdeu o cargo e foi condenado a 52 anos de prisão.

Finalmente o Brasil está “tomando jeito”, dirão alguns, mas, será que esses procedimentos possuem uma rotina constante, ou são casos pontuais para dar alguma resposta à sociedade? Vimos um nome que foi forte no passado, como o de Paulo Maluf, ser colocado atrás das grades, mas vemos tantos outros, que estão em evidência no momento, e que estão sendo investigados por décadas devido a graves acusações, circularem pelos corredores do planalto, do congresso e da câmara dos deputados, sem serem molestados. É verdade que Eduardo Cunha caiu, mas não será ele apenas um “boi para piranhas”, para proteger o grande esquema existente? Há seriedade nisso?

O Rio de Janeiro se transformou em pátio de guerra. Militares de diversas divisões já foram chamados para intervir nessa situação sem que nenhum resultado prático tenha sido alcançado, As ações não são conjuntas, e cada força trilha seu próprio caminho, traçado por alguma autoridade incompetente. A situação caótica que se alastrou pelo estado, parece em alguns momentos, estar sendo usada como balão de ensaio para a implantação de alguma contingência, como mostra o grande número de intervenções ocorridas sem um propósito definido.

Com a atual intervenção militar, a palhaçada dos políticos continua. Alguns a estão chamando de golpe, outros de inconstitucional, e demais acusações. Parece que essas pessoas vivem em outro país e não percebem a situação de urgência pela qual o Brasil passa, e de forma leviana, procuram colocar obstáculos para qualquer tipo de solução apresentada. Não há seriedade, mas sim muita irresponsabilidade e interesses políticos nisso tudo.