Atleta paralímpico que perdeu uma perna e um pulmão devido ao câncer vai subir o Everest em abril

O Everest é sem dúvida a montanha mais emblemática de todo o mundo. Com 8848 metros de altitude, é a montanha mais alta do planeta e verdadeira obsessão para alguns alpinistas e colecionadores de feitos incríveis. Todos os anos, mais de 1000 pessoas tentam subir a montanha e o último passo para chegar ao cume é chegar ao acampamento base do Everest, que fica a 5.545m de altitude.

O atleta paralímpico brasileiro João Carlos, conhecido como João Saci nas redes sociais, resolveu encarar este desafio de 11 dias de caminhada e mais de 94km de trekking. O objetivo de João Carlos é em abril deste ano alcançar o acampamento base sul do Everest, que é onde os alpinistas geralmente ficam durante vários dias para aclimatação, antes de chegar ao topo, percorrendo mais 3,5km de subida, para reduzir os riscos e gravidade do Mal da Montanha.

Motivação

João Carlos, que foi diagnosticado cinco vezes com câncer e perdeu mais da metade do pulmão esquerdo e uma das pernas na luta contra a doença, conta o que o motivou a encarar mais esse desafio: “Sempre fui apaixonado por montanha. Eu quando assistia o filme do Highlander que se passa nas regiões montanhosas da Escócia, aquilo sempre me fascinou. Em 2015 fiz a corrida de 9km de muletas com obstáculo, onde parte se dava no campo de treinamento do exército, e de lá pra cá passei a procurar um novo desafio a altura deste, que testasse os limites da minha capacidade física e mental. Então um amigo meu foi pro Acampamento Base no Everest, e ele fazia o mesmo treino que eu. Assim,  pensei que eu também poderia encarar esse desafio e que seria algo novo para mim”.

O atleta já conquistou mais de 40 medalhas até hoje, inclusive obtendo índice classificatório para as Paralimpíadas, mas afirma que está sempre em busca de novos desafios: “desde que venci o câncer, vivo minha vida mais intensamente. Quero aproveitar tudo que posso e realizar todos os meus sonhos. Sou motivado pelos desafios que vejo a minha frente”.

Desafios

Entre os desafios que João Carlos terá de enfrentar, ele relata quais são os principais: “A viagem tem um total de 20 dias, considerando a subida até o Acampamento Base do Everest, que leva de 10 a 11 dias, porque vamos fazendo demarcações, subindo aos poucos, para o organismo acostumar com a altitude. Tanto a subida como a descida é feita caminhando. São quase 100km de caminhada, em terreno que varia muito a altitude e inclinado, que levam o corpo a demonstrar sinais de esgotamento. Eu só tenho um pulmão em pleno funcionamento e isto vai exigir muito de mim, já que o ar é muito rarefeito em grandes altitudes”.

Preparação

João Carlos conta um pouco de como está sendo a sua preparação para encarar um dos lugares mais extremos do planeta em abril deste ano: “Minha preparação está sendo feita com treinos de Crossfit, caminhadas e treinos respiratórios prescritos pela minha fisioterapeuta. Por eu só ter um pulmão plenamente funcional então eu preciso trabalhar bem o mesmo para chegar em condições lá no Acampamento Base do Everest. Além disso faço treinos funcionais de resistência, simulando subidas bastante íngremes e treinos com escadarias. Fiz um teste de força pra saber quais partes do meu corpo tem déficit e que precisam ser trabalhadas e a partir dos resultados tenho investido no fortalecimento destes pontos mais fracos”.