“Façam a quarentena gente, só eu sei o que eu passei”, alerta morador de São Roque internado com suspeita de COVID-19

Depois de alguns dias após retornar de uma viagem para o exterior, o morador de São Roque Agostinho Vechiotti, de 56 anos, começou a ter os primeiros sintomas do COVID-19. “Estava muito suado, sentia o corpo muito quente, uma dor no corpo, febre, fui pra casa e dali eu fiquei aproximadamente uns 10 dias até que eu fui para o hospital, não aguentava mais, não conseguia nem respirar, foi feia a coisa”, contou. Ele está internado há mais de 10 dias no Hospital Regional em Sorocaba com suspeita de COVID-19.

Em um áudio divulgado recentemente por meio do amigo e vereador Guto Issa, a pedido do próprio Agostinho, ele relata o drama dos amigos que estão vivendo na Itália. “Conversei com um amigo na Itália, um ex-colega de trabalho, as pessoas entram nos supermercados as pessoas estão distantes umas das outras, na rua não se vê ninguém andando. Existe o respeito. Lá tem uma cidade que o caminhão do Exército passa recolhendo os corpos com o caminhão nas casas e jogam dentro de um caixão e levam embora. Já não tem onde colocar tanto corpo”, contou Agostinho.

Aqui no Brasil ele lamenta que as pessoas ainda não estejam respeitando e entendendo a gravidade do problema. “Muitos tem o corpo forte e talvez peguem uma gripe ‘a toa’, e que mesmo sendo COVID, vai passar. Uma pessoa forte não sente quase nada, mas em outros vai bater forte de um modo que a pessoa vai ficar convalescida e não vai conseguir respirar, como teve um momento em que me faltou o ar, eu só pensei em Deus e na morte”, desabafou, entre uma tosse e outra.

Com remédios e oxigênio superou aos poucos e se sente melhor, mas ainda um pouco fraco. “Tem muita fila de gente esperando uma vaga no hospital. Eu tive sorte de ter, mas é limitado. Imagina se muita gente ficar assim ao mesmo tempo, pra onde vai parar? Essas pessoas que andam na rua não sabem que podem levar para alguém de idade, para dentro de casa, acham que nada está acontecendo, mas tem que tomar muito cuidado. Sobre as pessoas que morreram aqui {nos} falaram que a família não vai receber o corpo tão cedo”, lamentou.

Ouça o áudio na íntegra:

Agostinho pediu que áudio fosse divulgado para a maior quantidade de pessoas

Dos primeiros sintomas ao sofrimento da internação

Na cidade, Agostinho passou por dois hospitais antes de ser transferido para o Regional de Sorocaba, enquanto os sintomas só pioravam. “Fiz uma tomografia em São Roque e fui muito bem atendido no Hospital [de São Roque], me levaram na Unimed para fazer a tomografia o que me ajudou bastante para ver que meu peito tava cheio, tinha caído muito a imunidade”, explicou. Ele tem a certeza de que não contraiu nada durante a viagem.

Durante o período internado em Sorocaba, precisou aguentar a rotina constante dos exames na UTI. “Que sofrimento que é. Me entubaram, puseram um monte de aparelhos em mim e a cada três horas vinham tirar sangue. Eu não aguentava mais. As minhas veias do braço estão todas inchadas porque não aguentam mais tanto antibióticos”, conforme explicou. A noite também quase não dormia. No momento não necessita mais de soro nem antibiótico e está tomando alguns remédios. “Mesmo assim eles veem coletar mais sangue para fazer mais algumas análises”, conta.

Agostinho foi transferido para o quarto no início da semana, mas não conseguia respirar profundamente, ainda lhe faltava o ar. Durante a internação na Unidade de Terapia Intensiva, pode ver que mais pessoas além dele estavam vivendo o mesmo sofrimento. “Aqui no Regional, na sexta-feira (03), tinham 10 pessoas internadas na UTI comigo, três pessoas que já estavam usando máscara [respirador], e já tinham problemas respiratórios faleceram no dia; eu, graças a Deus, não tenho nada que me afetasse a respiração, só esse negócio que veio forte e trancou meu peito”.

O paciente ainda aguarda o resultado do exame para confirmar o coronavírus, mas independente do resultado, ainda terá que ficar mais alguns dias cumprindo quarentena em casa.

Apelo à população

Agostinho compartilha sobre a situação que está vivendo, para que a população se conscientize sobre a gravidade da doença. “Tomem cuidado, se cuidem, façam a quarentena gente. Não fique muito perto das pessoas, que o negócio não é fácil e pega mesmo. Vai ser um ano muito difícil. Muita gente adoecendo, se recolhendo. Só eu sei o que eu passei, as dores, o sofrimento e a solidão também. Só saiam se necessário, o menos possível. Fiquem em casa. Tomara a Deus que acabe logo essa situação”, alerta.