Dentista de Sorocaba cria projeto que troca máscaras por alimentos durante pandemia

Sensibilizado com a situação de famílias carentes durante a pandemia, um dentista de Sorocaba resolveu criar um projeto que troca máscaras de tecido por alimentos que serão doados para entidades da cidade.

Eduardo Kazunori Imanobu, de 29 anos, contou em entrevista ao Portal G1, que a ideia surgiu depois de uma conversa com os amigos. Debatendo sobre a situação econômica do país com o coronavírus, o grupo comentou que muitas pessoas estavam em situação de dificuldade.

“Uma solução para a prevenção é o uso de máscaras e pensei sobre arrecadar alimentos e em troca oferecer máscaras. Muitos nomes foram sugeridos entre a família até chegarmos ao Projeto Emília, uma homenagem ao personagem do Sítio do Picapau Amarelo, que é uma boneca de pano”, conta.

O projeto saiu do papel e Eduardo montou o primeiro ponto de coleta no consultório dele. Para cada alimento doado, a pessoa ganha uma máscara.

O cirurgião dentista ainda relata que comprou o material necessário e teve uma ajuda importante na confecção. Quando soube do projeto, a sogra, Marisa Larini Bissoli, não pensou duas vezes e fez questão de ajudar.

“Desde que soube do projeto fiquei entusiasmada para ajudar as pessoas, pois são nesses tempos difíceis que temos que nos unir. A ideia é ajudar os dois lados. Quem precisa dos alimentos e quem precisa das máscaras. Assim todos saem ganhando”.

Doações

Na primeira etapa do projeto, a instituição escolhida pelo dentista para receber os alimentos foi a Casa do Menor de Sorocaba e a entrega foi feita na quarta-feira (13). Entre os produtos arrecadados estão 122 litros de leite, 20 quilos de arroz e mais de 30 ovos de Páscoa.

“Eu sempre tive esse lado social aflorado em mim. Sempre que pude, ajudei ao próximo. Escolhi a Casa do Menor porque já tenho uma proximidade com eles, já realizei doações. Faço isso sempre que possível”, explica Eduardo.

O dentista lembra que várias instituições estão abertas para receber doações. Ele explicou que, nas próximas etapas do projeto, quer ajudar outros locais.

“Quando tudo isso passar ainda quero dar continuidade ao projeto. Talvez não dessa forma porque talvez o uso de máscaras não seja mais necessário, mas vamos inovar para continuar arrecadando”.

Máscaras infantis

E com a produção de máscaras para o Projeto Emília, Marisa resolveu fazer também modelos infantis.O modelo não teve tanta adesão na campanha. Então, a família resolveu dar um jeito de ajudar ainda mais pessoas.

Segundo Eduardo, a sogra usa pedaços de tecidos que sobram das máscaras adultas e confecciona os modelos infantis.

“Entramos em contato com o GPACI para saber se queriam as máscaras e eles aceitaram. Explicaram que muitas crianças vão ao hospital sem máscara por questões econômicas. Então, vamos fazer a doação”, explica o cirurgião dentista.

“Eu e minha filha trabalhamos em cada detalhe para que no final tudo fique lindo”, finaliza Marisa.