Governador de São Paulo estuda remanejar data do Dia das Mães para evitar abertura do comércio durante a quarentena

O governo de São Paulo e a prefeitura da capital do estado descartaram qualquer possibilidade do comércio reabrir para o Dia das Mães. Entidades de comércio pressionam para que os estabelecimentos possam funcionar em uma das datas de maior venda no ano. Mas o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), declarou que não vai atender ao pedido e reforçou que a quarentena não permite o funcionamento de serviços não essenciais até, pelo menos, o dia 10 de maio.

“Do ponto de vista do governo, já respondemos que não há exceção. Não houve para a Páscoa, não terá para o Dia das Mães. Teremos uma quarentena obrigatória até o dia 10 de maio, a não ser serviços essenciais. Os demais podem atender online”, afirmou. “Reconheço que é uma data importante, aliás foi institucionalizada pelo meu pai em 1949, como publicitário que era. Não tenho mais minha mãe, gostaria de ter para dar um abraço, mas tenho certeza que todas as pessoas saberão compreender, aquelas que ainda têm suas mães, que é melhor proteger do que colocar em risco.”

Outra proposta que causou discussões foi a alteração da data do Dia das Mães para agosto, feita durante uma reunião virtual do tucano com empresários do setor varejista, nesta quinta-feira (23). A medida ocorreria para impulsionar o comércio, ainda fechado por causa da quarentena, em uma possível retomada no segundo semestre. A sugestão de Dória ocorreu no momento em que comerciantes pedem a reabertura dos negócios a partir de 1º de Maio, pois o período é o segundo no faturamento das empresas, perdendo apenas para o Natal. A decisão deverá ser tomada nos próximos dias.

Fecomércio acredita que mudança pode prejudicar os comerciantes

Para a FecomércioSP, o governo deve focar esforços no suporte às empresas e considera inadequada a proposta do governador João Doria em mudar a data do Dia das Mães para agosto. Isso porque o comércio não consegue se reprogramar faltando poucos dias para a comemoração, uma vez que já estão em curso planejamento de estoques, promoções, extensão de canais de atendimento, campanhas de marketing, ajuste do quadro funcional, entre outras ações.

Além disso, jogar a data para agosto fará com que concorra com o Dia dos Pais e, após meses de crise, a expectativa é de uma conjuntura econômica ainda mais negativa na ocasião. Não deverá, portanto, ocorrer compra de presentes nem para as mães, nem para os pais, com a previsão de crescimento do desemprego, endividamento e inadimplência das famílias.

Para a Federação, o governo de São Paulo precisa concentrar seus esforços em medidas para minimizar os prejuízos e evitar o fechamento de milhares de empresa. A prioridade seria injetar mais recursos às linhas de crédito apresentadas, principalmente ao micro e ao pequeno empresário, detalhando o plano de reativação pós-quarenta, momento em que sua aplicabilidade for possível. Tanto as informações sobre crédito pelo Desenvolve SP, quanto sobre o que acontecerá a partir do dia 11 de maio – quando haverá a abertura gradual da economia – ainda são insuficientes para atender às necessidades dos empresários.