Enchentes são aterrorizantes, diz Merkel; mortes chegam a 188

A chanceler alemã Angela Merkel descreveu neste domingo as enchentes que devastaram partes da Europa como “aterrorizantes”, com o número de mortes atingindo 188 após um distrito da Bavária ter sido atingido pelas condições climáticas extremas. 

Merkel prometeu auxílio financeiro rápido após ter visitado uma das áreas mais afetadas por chuvas e enchentes históricas, que deixaram pelo menos 157 mortes apenas na Alemanha, no pior desastre natural do país em quase seis décadas.  

“É aterrorizante”, ela disse aos moradores da pequena cidade de Adenau, no estado da Renania Palatinato. “A língua alemã mal pode descrever a devastação que ocorreu.”

O governo alemão vai disponibilizar mais de 300 milhões de euros em auxílio imediato e bilhões de euros para reparar as casas, ruas e pontes danificadas, disse o ministro das Finanças, Olaf Scholz, ao jornal semanal Bild am Sonntag.

A escala das enchentes também pode impactar a eleição alemã em setembro do ano que vem. O prêmie da Renânia do Norte-Vestfália, Armin Laschet, que é candidato do partido CDU para substituir Merkel, se desculpou por ter rido nos bastidores enquanto o presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, falava com a imprensa após visitar a cidade de Erftstadt, que foi devastada.

Na Bélgica, que terá um dia nacional de luto na terça-feira (20), os níveis da água baixaram no domingo e a operação de limpeza dos destroços está em andamento. Militares foram enviados à cidade de Pepinster, onde vários edifícios desabaram, para procurar mais vítimas. Dezenas de milhares de pessoas estão sem eletricidade e as autoridades belgas disseram que o estoque de água potável também é uma grande preocupação.

Comunidades inteiras estão em ruínas desde que rios transbordaram e varreram cidades pequenas e vilarejos na Alemanha, na Bélgica e na Holanda.

“Foi tão horrível, não conseguimos ajudar ninguém. As pessoas gesticulavam pelas janelas”, disse Frank Thel, um morador de Schuld, à Reuters diante de uma pilha de destroços na cidade, onde vários edifícios desmoronaram.

Só na Alemanha, 157 pessoas já morreram, a maior perda de vida em desastre natural em quase 60 anos no país. Teme-se que este número cresça, já que mais casas desabaram, enquanto na Bélgica autoridades disseram que pelo menos 20 pessoas morreram e outras 20 estavam desaparecidas. “As águas estão subindo cada vez mais. É assustador”, disse Thierry Bourgeois, de 52 anos, na cidade belga de Liege.

A infraestrutura foi completamente destruída, e a reconstrução custará muito tempo e dinheiro, disse a premiê do estado alemão da Renânia-Palatinado, Malu Dreyer. “O sofrimento só aumenta”, acrescentou.

Redes de telefonia móvel estão inativas em algumas das regiões assoladas por inundações, o que impede o contato com familiares e amigos.

Mais ao norte, em Erftstadt, perto de Colônia, também na Alemanha, várias casas desabaram na manhã desta sexta-feira, e equipes de resgate estão tendo dificuldade para alcançar moradores de barco. Estradas ao redor de Erftstadt estão intransitáveis, já que foram varridas pelas inundações.

O ministro alemão do Interior, Horst Seehofer, disse que o governo federal pretende fornecer apoio financeiro às regiões afetadas o mais rápido possível, acrescentando que um pacote de medidas deve ir ao gabinete para receber aprovação na quarta-feira.

Fonte: EBC Internacional