História do Vinho Brasileiro

Cia Vinícola Rio-Grandense

PARTE 4 – FASES DA VITIVINICULTURA NA SERRA GAÚCHA

A vitivinicultura gaúcha passou por várias fases e crises desde o final do século XIX e durante o século XX, conforme veremos a seguir através de tópicos de datas:

1885 – Nasce a 1ª cantina para comércio que mais tarde transformou-se em Pasquali, Salton & Cia (Bento Gonçalves).

1898 – Escola de Agricultura e Viticultura e o 1º Laboratório  Enológico da Estação Agronômica Experimental.

1904 – O Irmão Pacônio (Irmãos Maristas) vindo da Alsácia dedica-se à viticultura elaborando o famoso vinho, na época, Pindorama (Garibaldi).

1908 – É fundada a primeira vinícola, a Mônaco.

1910 – Nasce a Vinícola Dreher, onde Carlos Dreher Filho, foi o 1º a elaborar vinho branco seco (Bento Gonçalves). Também é inaugurada a vinícola Salton.

1912 – O enotécnico italiano Celeste Gobbato começa lecionar Viticultura e Enologia no Instituto de Agronomia do Rio Grande do Sul, posteriormente sendo chefe da Estação Experimental de Agricultura, em Viamão, próximo a Porto Alegre.

O professor Gobbato foi um personagem fundamental no desenvolvimento da qualidade do vinho brasileiro, defensor das cepas vitis-vinífera. Em 1930 escreveu a 3ª edição do Manual do Viti-Vinicultor Brasileiro, contribuindo profundamente para aprimoramento da viticultura.

1915 – Fundada a vinícola Armando Peterlongo, a 1ª na elaboração do espumante natural.

1929 – Inicia-se o trabalho da Companhia Vinícola Rio-Grandense (órgão comercial do Sindicato do Vinho), através da associação de 49 produtores de vinho, sendo a pioneira na implantação comercial de variedades viníferas (1931) e a comercializar vinhos varietais (1937). Essa vinícola foi um marco na melhoria do vinho brasileiro, através de instalações higiênicas e adequadas à melhoria do estado sanitário e além das variedades americanas, produziu as vitis-vinífera Cabernet Franc, Merlot, Riesling Itálico, Trebiano, Malvasia de Cândia, Moscato, Barbera, Bonarda, etc…

1929 a 1931 – O prefeito de Caxias do Sul, professor Celeste Gobbato, incentiva a formação de cooperativas, evitando assim o monopólio de Cia Rio-Grandense. Neste momento surgem grandes cooperativas: Forqueta (1929), Aliança (1931), Aurora (1931), Garibaldi (1931).

A década de 30 foi muito importante para o desenvolvimento do vinho, em termos econômicos, com o surgimento da estrada de ferro que ligava Caxias do Sul com a capital gaúcha Porto Alegre, permitiu um melhor escoamento da produção, e em qualidade, houve a reintrodução das cepas vitis-vinífera.

1936 – É criado o Instituto Riograndense do Vinho (substituindo o Sindicato do Vinho), que tinha por finalidade normatizar e controlar a produção.

1937 – Criado o Laboratório Central de Enologia (futura EMBRAPA Uva e Vinho), com Sede no Rio de Janeiro e três Estações de Enologia com sede no Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Surge o 1º vinho varietal, sendo elaborado pela Companhia Vinícola Rio-Grandense, como já foi citado anteriormente.

1942 – A Estação de Enologia de Bento Gonçalves iniciou suas atividades (futura EMBRAPA).

1950 – O Sindicato da Industria do Vinho, substitui o Instituto Riograndense do Vinho.

1957 – A Associação dos Vinicultores do Rio Grande do Sul acaba substituindo o Sindicato da Industria do Vinho.

1964 – A cooperativa Aurora elabora o seu 1º vinho fino, com a marca Bernard Taillan, com muito sucesso. Na década de 60 houve a campanha “Plante Viníferas” da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul para melhorar a qualidade do vinho nacional.

1967 – Surge a União Brasileira de Vitivinicultura (UVIBRA).

1968 – É fundada a vinícola Château Lacave, onde em 1971 é elaborado o 1º vinho de guarda, Velho do Museu, pelo enólogo Juan Luiz Carrau.

1973 – Começa uma nova fase com a chegada das empresas multinacionais no setor vitivinícola, melhorando a qualidade do vinho brasileiro, que adquiriram instalações de vinícolas, utilizaram marcas existentes, construíram novas cantinas, compravam uvas de produtores locais. Houve um incentivo financeiro aos agricultores, nova formação dos parreirais através do sistema em espaldeira, estimulou o cultivo das variedades Cabernet Franc, Merlot, Sémillon e Riesling Itálico.

As empresas que se estabeleceram nesta época foram as seguintes: Martini & Rossi (Bacardi-Martini / De Lantier) (1973), Heublein (1973), Moet & Chandon (1973), Seagran (Maison Forestier) (1974), National Distillers (Almadém) (1974).

Em virtude desta concorrência, as vinícolas nacionais, passaram também a produzir vinhos finos, inclusive houve o surgimento de novas empresas.

1983 – No início dos anos 80 começam a dar mais ênfase em outras variedades de castas viníferas, tais como: Cabernet Sauvignon, Zinfandel, Gamay, Pinotage, Tannat, Syrah, Chardonnay, Pinot Blanc e Sauvignon Blanc. 1990 – Houve abertura econômica e redução de alíquotas alfandegária pelo governo federal, gerando assim uma entrada muito grande de vinhos importados de todos os níveis qualitativos.

+ Parte 1 – HISTÓRIA DO VINHO NO BRASIL COMEÇOU NO ESTADO DE SÃO PAULO

+ Parte 2 – HISTÓRIA DO VINHO EM SÃO ROQUE

+ Parte 3 – A VITICULTURA NO RIO GRANDE DO SUL

Agradeço desde já quem quiser colaborar com a memória do vinho brasileiro. Podem entrar em contato! Cordialmente, Carlos Vivi!

Carlos Vivi, descendência italiana, 55 anos, graduado em engenharia civil, formado em sommelier pela ABS-SP, ciclismo como esporte e vinho por paixão, dedicando três décadas no estudo da cultura do vinho.

e-mail: vinhosvivi@gmail.com.br
WhatsApp: (11) 9.5052-8855
Santana de Parnaíba – SP