História do Vinho Brasileiro

Vindima em 1932 – Caxias do Sul – RS

PARTE 3 – A VITICULTURA NO RIO GRANDE DO SUL

A primeira cultura da videira no Rio Grande do Sul teve início em 1626, através do Jesuíta Padre Roque González de Santa Cruz ao “fundar” a redução cristã de São Nicolau. Mesmo com sua morte deu-se prosseguimento a colonização jesuíta que provinha da Espanha ou via Buenos Aires, fundando os Sete Povos das Nações, que posteriormente fora dizimado pela Coroa Portuguesa.

Imigrações

A imigração açoriana, entre os anos de 1732 – 1773, trouxe cepas portuguesas e se instalaram na região de Porto Alegre. Houve também a imigração francesa na região de Pelotas; suíça e alemã em São Lourenço e a italiana, vindos principalmente da região do Vêneto e Trentino-Alto (1870 –1875) estaleleceram-se na Serra Gaúcha, nas colônias, Campo dos Bugres (Caxias do Sul), Conde D’Eu (Garibaldi), Dona Isabel (Bento Gonçalves), Nova Trento (Flores da Cunha), Nova Prata, Nova Vicenza (Farroupilha), entre outras.

Esta última imigração responsável pela expansão da viticultura gaúcha constituiu a mais importante região desta cultura no Brasil.

Variedade das cepas no início:

Até a metade do século XIX só se cultivava variedades vitis-vinífera em solo gaúcho.

A introdução da uva Isabel deu-se através do gaúcho José Marques Lisboa, em missão diplomática em Washington, enviando tal cepa, por volta de 1837 a 1842 ao comerciante inglês Thomas Messiter, radicado no Rio Grande do Sul, formando assim, os primeiros vinhedos na Ilha dos Marinheiros e Serra dos Tapes.

Posteriormente introduziu-se outras variedades americanas, apresentavam uma maior viabilidade ecológica e resistência aos inimigos naturais das videiras, notou-se, porém, que as videiras européias definhavam rapidamente devido à doença provocada por fungos (peronospora), filoxera, provenientes das cepas americanas que eram resistentes a tal fungo e outras doenças.

Devido às dificuldades em cultivar as videiras européias, os colonos italianos foram à colonização alemã buscar as castas americanas, principalmente a variedade Isabel, o que resultou em uma predominância de 95% destas videiras.

Neste período os vinhos eram ácidos com baixa graduação alcoólica, geralmente não ultrapassavam 8GL.

O primeiro comércio dos vinho de “colônia”

Em 1898 o imigrante italiano Antonio Pieruccini transportou algumas barricas de vinho em lombo de burro até São Simão/SP e em 1900 foi à vez de Abramo Eberle até a capital paulista, estas viagens duravam entre 4 a 6 meses.

A 1ª viagem de navio deu-se em 1901 ao embarcar 110 barricas no Lloyd Brasileiro com destino ao porto de Santos, onde só foi obter sucesso de vendas na cidade de Ribeirão Preto, interior de São Paulo.

+ Parte 1 – HISTÓRIA DO VINHO NO BRASIL COMEÇOU NO ESTADO DE SÃO PAULO

+ Parte 2 – HISTÓRIA DO VINHO EM SÃO ROQUE

Agradeço desde já quem quiser colaborar com a memória do vinho brasileiro, podem entrar em contato. Cordialmente, Carlos Vivi!

Carlos Vivi, descendência italiana, 55 anos, graduado em engenharia civil, formado em sommelier pela ABS-SP, ciclismo como esporte e vinho por paixão, dedicando três décadas no estudo da cultura do vinho.

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Santana de Parnaíba – SP