História do vinho brasileiro

PARTE 6 – AS CONQUISTAS DAS ÚLTIMAS DÉCADAS

2012 – Criada a primeira Denominação de Origem (DO)* de vinhos do Brasil no Vale dos Vinhedos.

*Detalhes da DO (resumo):

  • A produção de uvas e a elaboração dos vinhos ocorrem exclusivamente na região delimitada do Vale dos Vinhedos, uma área de 72,45 km2 localizada nos municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul. 
  • Existem requisitos específicos para de cultivo dos vinhedos, produtividade e qualidade das uvas para vinificação;
  • Os espumantes finos são elaborados exclusivamente pelo “Método Tradicional” (segunda fermentação na garrafa), nas classificações Nature, Extra-brut ou Brut; para este produto as uvas Chardonnay e/ou Pinot Noir são de uso obrigatório;  
  • Nos vinhos finos brancos, a uva Chardonnay é de uso obrigatório, podendo ter corte com a Riesling Itálico;
  • O uso da uva Merlot é obrigatória para os vinhos finos tintos da DO, os quais podem ter cortes com vinhos elaborados com as uvas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Tannat;
  • Os produtos que passam por madeira envelhecem exclusivamente em barris de carvalho;
  • Para chegar ao mercado, os vinhos brancos passam por um período mínimo de envelhecimento de 6 meses; no caso dos vinhos tintos são 12 meses; os espumantes finos passam por um período mínimo de 9 meses em contato com as leveduras, na fase de tomada de espuma;
  • Os vinhos apresentam características analíticas e sensoriais específicas da região e somente são autorizados para comercialização os produtos que obtenham do Conselho Regulador da DO o atestado de conformidade em relação aos requisitos estabelecidos no Regulamento de Uso; 

Concessão, pelo INPI, do registro da Indicação de Procedência de vinhos finos e espumantes Altos Montes, tendo como órgão gestor a associação de produtores Apromontes;

2013 – Empresas de “e-comerce” especializadas localizadas no Rio Grande do Sul começam oferecer vendas com grande portfólio de vinhos brasileiros, o que demonstra crescente interesse mercadológico;

Concessão, pelo INPI, do registro da Indicação de Procedência de vinhos finos e espumantes Monte Belo, tendo como órgão gestor a associação de produtores Aprobelo;

2014 – Cresce o movimente de pequenas vinícolas na produção de vinhos orgânicos e biodinâmica, com vinificação natural;

2015 – Concessão, pelo INPI, do registro da Indicação de Procedência de vinhos finos e espumantes moscatéis Farroupilha, tendo como órgão gestor a associação de produtores Afavin;

2016 –Instituição do Comitê de Indicações Geográficas do Ibravin, tendo como membros as associações de produtores com IG de vinhos registradas ou com IG em fase de estruturação, detentores de marcas coletivas de vinhos, incluindo representantes do Ibravin, Embrapa, UCS, entre outros.

2018 – Considerado uma safra excepcional, produzindo excelentes vinhos em diversos terroir’s;

2020 – Pela primeira vez desde que foi criada, a “Avaliação Nacional do Vinho Brasileiro”, que acontece anualmente no município de Bento Gonçalves foi apresentada de forma virtual para todo Brasil, com a venda antecipada dos kit’s dos vinhos selecionados e entregues em todo Brasil numa operação logística extremamente eficiente. Este ano foi denominado a “Safra das Safras” devido a constatação da excelente qualidade das bagas em todas regiões produtoras de uvas viníferas.

Vinícolas brasileiras e profissionais do setor passam se apresentar através de “lives” em diversas mídias sociais/eletrônicas;

Bodega 3 amigos lança vinho feito por financiamento coletivo através da plataforma Kickante.com.br, divulgado na imprensa local e em diversas mídias sociais, o vinho será uma assemblagem de uvas selecionadas da região do sudeste gaúcho, mais precisamente da Encruzilhada do Sul, e serão processadas dentro das instalações da Bodega Czarnobay, estará disponível em 2022, anteriormente grupos de amigos e confrarias já haviam tido esta iniciativa, mas não de forma abrangente e no formato aberto ao público em geral.

2021 – Em uma ação inédita que se tenha registro, o enólogo Alexandre Chaves, em parceria com algumas vinícolas passa a exercer a função de “negociante de vinhos”, atividade essa muito comum na Europa, um dos projetos será em parceria com o enólogo Giovanni Ferrari da vinícola Arte Viva na elaboração do vinho onde haverá a participação dos “cotistas” na definição do corte dos vinho da safra de 2020.

Safra 2021 se mostrou de excelente qualidade, principalmente para uvas que servirão de vinhos base para espumante e para as uvas de colheita mais tardia.

+ Parte 1 – HISTÓRIA DO VINHO NO BRASIL COMEÇOU NO ESTADO DE SÃO PAULO

+ Parte 2 – HISTÓRIA DO VINHO EM SÃO ROQUE

+ Parte 3 – A VITICULTURA NO RIO GRANDE DO SUL

+ Parte 4 – FASES DA VITIVINICULTURA NA SERRA GAÚCHA

+ Parte 5 – FIM DO SÉCULO PASSADO E INÍCIO DOS ANOS 2000

Agradeço desde já quem quiser colaborar com a memória do vinho brasileiro. Podem entrar em contato! Cordialmente, Carlos Vivi!

Carlos Vivi, descendência italiana, 55 anos, graduado em engenharia civil, formado em sommelier pela ABS-SP, ciclismo como esporte e vinho por paixão, dedicando três décadas no estudo da cultura do vinho.

e-mail: vinhosvivi@gmail.com.br
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Santana de Parnaíba – SP