História do vinho no Brasil

Ramo da videira, é um dos símbolos que complementa o Brasão de Curitiba.

No estado do Paraná existem aproximadamente 120 produtores de uva/vinho, espalhados em 35 municípios, na grande maioria produtores de vinhos de mesa.

PARTE 12 – VINHOS DO PARANÁ (parte II)

A Região Metropolitana de Curitiba tem na sua população formada em parte por imigrantes europeus (italianos, ucranianos, alemães e poloneses) chegados a partir segunda metade do século XIX. Com sua cultura e religiosidade, trouxeram consigo a tradição da videira e do vinho. A região, entre os anos 1930 e 1960 foi tomada por parreiras de uvas americanas que compunham a paisagem. Inclusive o brasão municipal de Curitiba contém um ramo de uvas em seu desenho. Nos anos 1970 houve um declínio do cultivo de antigos parreirais devido ao surgimento de pragas e doenças. A retomada ocorreria somente algumas décadas mais tarde, de maneira mais pontual, com uso de novas tecnologias de viticultura, como o uso de porta enxertos resistentes a doenças, etc.

Em 2017, foi fundada a Associação de Viticultores do Paraná – VINOPAR, com objetivo fortalecer a produção e comercialização de vinhos finos, coloniais, espumantes e demais produtos da uva como sucos e grappas, a associação conta com a participação de doze vinícolas distribuídas na Região Metropolitana de Curitiba (Araucária, Cave Colinas de Pedra, Familia Fardo, Famiglia Zanlorenzi, Franco Italiano, Legado e Vinhos Santa Felicidade, Região Sul (Bertoletti e RH) e Região Norte (Crevelim, Guaravera e Paschovino).

Vinícola Legado – Campo Largo – PR

A Vinícola iniciou seus primeiros experimentos com uvas viníferas em 1998, após a confirmação de êxito, em 2006 iniciou a implantação de 5 hectares com as uvas tintas Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Noir e as brancas Viognier e Fiano de Avelino (originária do Sul da Itália). O grande destaque da vinícola são os espumantes, em especial Nature. A vinícola trabalha com enoturismo através de visitas guiadas nos parreirais e na cantina, e com a opção de participar de um piquenique com seus vinhos, em uma área reservada. A proprietária Heloise Merolli também é professora da disciplina “Vinhos do Brasil” no curso para sommelier do Centro Europeu de Curitiba.

Vinícola Campo Largo (Famiglia Zanlorenzi) – Campo Largo – PR

A Vinícola foi fundado em 1942, apor Carlos e Julia Zanlorenzi  em 1977 abriu uma filial no município de São Marcos, é uma das maiores empresas de vinhos, principalmente de mesas e uma das grandes indústrias de bebidas do Brasil, além de ter uma das maiores linha de envase da América Latina. A base produtora da Zanlorenzi está situada na Serra Gaúcha, na cidade de São Marcos/RS, onde mantem parceria com mais de mil famílias de viticultores da região, e são elaborados os espumantes e vinhos finos, o polo industrial se encontra na cidade de Campo Largo/PR.

Vinícola Franco Italiano – Colombo – PR

A Vinícola que tem sede no município de Colombo, surgiu da união familiar de origem francesa e italiana de Dirceu Rausis e Ivonne Ceccon, contam com a participação do filho Fernando Rausis Camargo, selecionando viticultores parceiros nas regiões do Paraná, município de Porto Amazonas, Serra Catarinense, Serra Gaúcha e Campanha Gaúcha, selecionando as melhores castas que cada região tem de melhor com perfis específicos, originando excepcionais vinhos.

Todo o manejo da uva, desde o plantio até a colheita, é acompanhado pelos técnicos, especializados, da vinícola, todos focados no terroir e em metodologias modernas de vinificação. Produzem espumantes pelo método tradicional “Champenoise”, vinhos tranquilos varietais e a linha de edição limitada Paradigma Rotto, feitos com safras especiais, com longo amadurecimento em barricas de carvalho e processos diferenciados.

A vinícola possui instalações para enoturismo e restaurante.

Vinícola Família Fardo – Quatro Barras – PR

A vinícola é a realização do sonho de Ambrósio Fardo, nascido na Serra Gaúcha, família de origem de imigrantes italianos da região do Vêneto.  Em 2003 comprou o terreno em Quatro Barras, onde tentou produzir uvas, mas devido ao insucesso por vários fatores, principalmente climático não foi possível dar continuidade no cultivo das videiras, resolveu então fazer parcerias com viticultores do Rio Grande do Sul na região do Alto Uruguai e Serra Gaúcha, na Serra Catarinense e no Sudoeste do Paraná.

Possui uma linha de vinhos varietais e de assemblagens, vinhos de mesa, espumantes, destilados e sucos de uva integral, as instalações da vinícola são de extremo bom gosto, com amplo restaurante e espaço para eventos.

Vinícola Araucária – São José dos Pinhais – PR

Empreendimento concebido em 2009 por oito sócios, na região de São José dos Pinhais, inicialmente com 4 hectares, a 950 metros do nível do mar, inicialmente foram plantadas as cepas tintas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Pinot Noir, Nebbiolo e Terodego e as cepas brancas Chardonnay e Viognier.

Os vinhos são produzidos com uvas do próprio vinhedo, com seu terroir próprio, com personalidade própria e características da região. A vinícola possui um ampla área de parque e restaurante, um verdadeiro convite para passeio em família e bem próximo de Curitiba.

Cave Colinas de Pedra – Piraquara – PR

Cavi Colinas de Pedra. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo

A Cave Colinas de Pedra pertence a família de Ari Portugal, é um projeto de maturação de espumantes no interior de um túnel ferroviário, onde em 1999 foi adquirida uma área de 45 hectares localizada nos fundos da Estação Ferroviária de Roça Nova, no município de Piraquara – PR e em 2000 houve a aquisição da estação, o túnel ferroviário desativado, localizado a 140 metros da estação e uma litorina sucateada, da extinta Rede Ferroviária Federal S.A – RFFSA.

O túnel possui extensão de 429 metros, com 5 metros de altura e 3,5 metros de largura. As duas portas internas, no espaço da cave, são portas tipo “cofre forte” de alta resistência. A capacidade de armazenamento é de 50.000 garrafas, porém existe uma cave reserva, podendo elevar esse número a 500.000 garrafas.

A Cave Colinas de Pedra faz a guarda, maturação e processos finais do vinho espumante, pelo método de elaboração Champenoise, que compreende a rèmuage, dégorgement, adição do licor de expedição, rolha, gaiola e rotulagem. A primeira fase de elaboração do espumante é feita pela tradicional vinícola brasileira Cave Geisse.

Possuem uma boa infraestrutura para passeio, com áreas de descanso e restaurante, um passeio marcante e inesquecível e fica a 30 km de Curitiba

BAIRRO SANTA FELICIDADE – Curitiba – PR

No bairro tradicional de restaurantes/cantinas italianas familiares, vale sitar duas Vinícolas presentes na região, a Vinícola Santa Felicidade e a Vinícola Durigan com muita tradição, com seus vinhos coloniais, com gosto da história da vinicultura brasileira familiar, feito de uvas de mesa, bem adaptadas ao solo e clima brasileiros. Hoje, ambas possuem também vinhos finos varietais, leves, para consumo do dia a dia.

+ Parte 1 – HISTÓRIA DO VINHO NO BRASIL COMEÇOU NO ESTADO DE SÃO PAULO

+ Parte 2 – HISTÓRIA DO VINHO EM SÃO ROQUE

+ Parte 3 – A VITICULTURA NO RIO GRANDE DO SUL

+ Parte 4 – FASES DA VITIVINICULTURA NA SERRA GAÚCHA

+ Parte 5 – FIM DO SÉCULO PASSADO E INÍCIO DOS ANOS 2000

+ Parte 6 – AS CONQUISTAS DAS ÚLTIMAS DÉCADAS

+ Parte 7 – REGIÕES VINÍFERAS NO RIO GRANDE DO SUL

+ Parte 8 – REGIÕES VINÍFERAS EM SANTA CATARINA

+ Parte 9 – NOVOS “TERROIR”

+ Parte 10 – VINHO DO CERRADO – GOIÁS

+ Parte 11 – VINHOS DO PARANÁ – PARTE I

Agradeço desde já quem quiser colaborar com a memória do vinho brasileiro. Podem entrar em contato! Cordialmente, Carlos Vivi!

Carlos Vivi, descendência italiana, 55 anos, graduado em engenharia civil, formado em sommelier pela ABS-SP, ciclismo como esporte e vinho por paixão, dedicando três décadas no estudo da cultura do vinho.

Autor: Carlos Vivi
e-mail: vinhosvivi@gmail.com.br
WhatsApp: (11) 9.5052-8855
Santana de Parnaíba – SP

Referências Bibliográficas:

  • Dardeu, Rogério – Gente, Lugares e Vinhos do Brasil
  • Site: vaocubo – Vinho, Vida e Viagem.
  • Site: vinopar.com.br