Inhame uma raiz e tanto

Inhame ou cará, como é chamado em algumas regiões do Brasil, é o nome dado ao tubérculo de algumas espécies do gênero Dioscorea. Originário da África, o inhame foi trazido das ilhas de Cabo Verde e São Tomé para o Brasil pelos portugueses e encontrou condições ideais para se desenvolver. Seu nome provém de uma palavra de origem senegalesa que significa “para comer”.

No nordeste, é bem comum nas primeiras refeições, principalmente apreciado no café da manhã, em substituição ao pão. Por ser uma raiz de baixo índice glicêmico, auxilia na perda de peso, tem maior quantidade de carboidrato, e por isso oferece mais energia, e seu alto teor de fibra permite uma maior sensação de saciedade.

Portanto, sendo uma boa fonte de carboidrato, é preciso equilibrar seu consumo com o gasto calórico. Recomenda-se uma porção três vezes por semana, substituindo um carboidrato da refeição – como o pão no café da manhã, por exemplo.

Por ter a ação da diosgenina, presente nos fitormônios (hormônio vegetal) do inhame, facilita a eliminação do colesterol ruim (LDL) pelo intestino, diminuindo a chance de cair na corrente sanguínea e entupir vasos e artérias. Ao mesmo tempo também aumenta os níveis do colesterol bom (HDL), auxiliando na redução dos riscos de doenças cardíacas. E alguns estudos indicam que o inhame, assim como outros tubérculos, possui uma proteína capaz de estimular o sistema imunológico. Portanto, dentro de uma alimentação saudável e equilibrada, o inhame pode auxiliar a reduzir os riscos de doenças como obesidadediabeteshipertensão e doenças do coração, dos ossos e do cérebro. Devido à presença da diosgenina, o inhame tem propriedades especialmente indicadas para a saúde feminina, principalmente na menopausa e SPM (Síndrome Pré-Menstrual):

• Auxilia no período da menopausa, reduzindo alguns sintomas, como alteração de humor e os fogachos;

• Ajuda a relaxar a musculatura, o que reduz os sintomas da cólica menstrual, devido à forte presença de magnésio em sua composição;

• O inhame também tem propriedades que reduzem o inchaço, a dor de cabeça e a ansiedade, sintomas típicos da SPM;

• Proporciona um aporte maior de calorias e vitaminas por ser rico em vitaminas do complexo B, importante auxiliar na absorção do carboidrato;

• Auxilia na diminuição da incidência de câimbras por ser rico em minerais como potássio, magnésio e cálcio, que participam da contração e relaxamento do músculos;

• É indicado para os atletas devido à sua elevada quantidade de minerais e vitaminas, como a provitamina A, vitamina C e vitamina B6;

• Alivia os sintomas da depressão já que os carboidratos melhoram a função cerebral durante a produção de serotonina, provocando uma sensação de bem-estar.

O inhame, não tem contraindicação, e é indicado nos casos de restrições alimentares como a doença celíaca e a APVL (Alergia à Proteína do Leite de Vaca). Atualmente, novos produtos como farinha, pão e iogurte estão sendo desenvolvidos com o inhame para atender essa parte da população. Apesar de não ter contraindicação, seu consumo na dieta deve ter acompanhamento individualizado para algumas patologias como câncer, problemas renais e síndromes intestinais. Por ser uma raiz, o inhame é um alimento que pode ser usado no preparo de refogados, sopas, pães, tortas, vitaminas e bolos. É possível achar uma boa variedade de receitas: bolos, iogurte, purê, maionese, e até vitaminas de inhame com frutas. Pode ser consumido cozido, assado ou como chips, lembrando que a forma mais indicada é sempre a mais simples para preservar mais nutrientes.

Silvia Hermida – Bióloga e Produtora Rural

Fonte: Santos, E. S.  et al.  “Cultivo do Inhame em Base Agroecológica”. Embrapa, 2012.

Toda quinta-feira os cidadãos de São Roque têm a oportunidade de interagir e adquirir produtos produzidos localmente com manejo agroecológico na Feira Agroecológica de São Roque, que ocorre na Av. 3 de Maio, 900 das 8h até as 12h. @feiraagroecosaoroque